Andre Dusek/Estadão
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Renan boicota jantar de Dilma ao PMDB

Presidente do Senado alega questões institucionais, mas está descontente com perda de influência na Transpetro e falta de ajuda ao filho

João Domingos e Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

02 de março de 2015 | 17h43

Atualizado às 21h41

Brasília - De surpresa, a 2h40min do início do jantar da cúpula do PMDB com a presidente Dilma Rousseff, o presidente do Senado e do Congresso, Renan Calheiros (AL), anunciou nesta segunda-feira, 2, em nota pública que não participaria do encontro no Palácio da Alvorada. O boicote ao aceno da petista ao principal partido da coalizão, oficialmente justificado por questões institucionais, deveu-se a uma série de desentendimentos de Renan com o Planalto.

“Decidi abster-me do jantar entre o PMDB, a presidente da República e ministros, em que se discutirá a coalizão. O presidente do Congresso Nacional deve colocar a instituição acima da condição partidária. Considero o encontro como aprimoramento da democracia”, escreveu Renan na nota. 

Entretanto, a lista de motivos do peemedebista para evitar a presidente começa pelo desejo de Dilma de efetivar no cargo o presidente interino da Transpetro, Claudio Campos. A notícia chegou ao PMDB e desagradou ao presidente do Senado, que é padrinho político do ex-presidente Sérgio Machado e pretendia manter a influência sobre a subsidiária da Petrobrás. 

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Machado foi afastado após seguidas licenças porque foi citado em depoimento do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa como beneficiário de R$ 500 mil em propina. Ele nega a acusação. Mas, em razão das suspeitas sobre Machado, a consultoria PriceWaterhouseCoopers (PWC) exigiu que Machado deixasse o cargo para ter condições de auditar a Transpetro com isenção. 

Além da perda de influência na estatal, Renan Calheiros está preocupado com a situação do governo de Alagoas, comandado desde o início do ano por Renan Filho (PMDB). Como a situação econômica do País é ruim, o Planalto não tem cumprido a promessa de que ajudaria a família Calheiros com a liberação de verbas para a gestão do filho do presidente do Senado começar bem. O que se vê é Alagoas enfrentar problemas como tantos outros Estados.

Mudança. Tudo isso levou Renan a passar de fiel da governabilidade no primeiro mandato de Dilma à condição de porta-voz das insatisfações suas e do PMDB. Na semana passada, o presidente do Senado disse que a coalizão governista era “capenga” e que houve um “escorregadão” na condução da política fiscal entre 2011 e 2014.

Renan exigiu ainda que o governo também se sacrifique no aperto fiscal, não deixando o ônus apenas para o aliado. Na quinta-feira, o presidente do Senado promoveu um café da manhã entre peemedebistas e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas não deu mostras de que mudou o humor. No mesmo dia, anunciou o convite de Dilma para o jantar de ontem: “Conversar é sempre recomendável, não arranca pedaço. É um exercício permanente. A responsabilidade do PMDB é dar fundamento da coalizão, podemos até não conseguir, podemos até tentar e essa é uma oportuna para tentar”, afirmou Renan ao Estado, na ocasião.

Sem o presidente do Senado no jantar de ontem, temia-se que a reunião não atingisse o principal objetivo: reaproximar o PMDB da presidente. O senador Romero Jucá (PMDB-RR), por exemplo, não via possibilidades de avanço nas negociações que visam a dar maior coesão à base aliada. “Enquanto não acertarem as coisas, não adianta fazer jantar. Jantar é para comemorar o que foi acordado”, disse o ex-líder do governo.

O maior problema na convivência do PMDB com o Palácio do Planalto, hoje, de acordo com dirigentes da legenda, é o fato de o governo não ouvir o partido antes de tomar qualquer decisão. Eles lembraram que na sexta-feira Dilma editou medida provisória sobre a desoneração da folha de pagamentos das empresas de novo sem ouvir nenhum peemedebista. 

O partido se queixa ainda de só ser procurado nas horas em que o incêndio já se propagou. É o caso das MPs do ajuste fiscal que tratam de questões trabalhistas e previdenciárias. O PMDB quer que o PT assuma a defesa delas, mas é grande a resistência dos parlamentares petistas. Parte da bancada do partido de Dilma não quer aparecer nos mapas de votação feitos pelas centrais sindicais como “inimigos dos trabalhadores”. 

Um dos caminhos apontados para amenizar a tensão entre o governo e o PMDB seria um convite para o vice-presidente da República e presidente do partido, Michel Temer, fazer parte do conselho político de Dilma. O jantar seria a ocasião para tanto.

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