Renan barganha sua cadeira para salvar mandato

Senador está disposto a renovar licença por mais 45 dias, mas quer PT alinhado em sua defesa

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

17 Outubro 2007 | 00h00

Ameaçado de cassação e decidido a salvar o seu mandato, o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), já está negociando a sua cadeira com o governo, o PT e o próprio PMDB. Ele indicou para o Palácio do Planalto que, a depender do desdobramento de seus quatro processos no Conselho de Ética, está disposto a renovar a licença de 45 dias, de forma a permitir que o vice Tião Viana (PT-AC) fique no posto de presidente da Casa até o fim do ano. Tudo para facilitar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), mas Renan quer, em contrapartida, a bancada do PT alinhada na sua defesa. A idéia é evitar qualquer movimento que tumultue o ambiente político do Senado, para garantir condições favoráveis ao governo na prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Nesse contexto, o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), declarou ontem, diante dos presidentes e líderes de partidos aliados e de oposição: "Não há renúncia. O Renan tirou licença." Os senadores estranharam a colocação, já que estavam discutindo a agenda de votações a convite de Viana. Um dirigente do PMDB explicou que a frase de Raupp foi uma "lembrança estratégica" aos líderes, "um chamado" à negociação. Segundo ele, Renan está disposto a tirar uma licença maior para contribuir com o governo e o Senado, mas descarta a renúncia, já que o fogo cerrado no Conselho de Ética continua. "Eu conversei com Renan e vi que ele está disposto a dar a sua contribuição em duas frentes: na celeridade da apuração das denúncias e na conclusão das votações de interesse do governo, em especial a CPMF", disse Gilvan Borges (PMDB-AP). "A contrapartida é que a base esteja junto dele e o PT feche com ele. Como a oposição deu sinal de que os ataques não param, ele colabora e o governo o ajuda." ESCÓRCIO Acusado de espionar os senadores goianos Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB) a mando de Renan, Francisco Escórcio encontrou-se ontem, duas vezes, com o ex-chefe. Demitido do cargo de assessor da presidência do Senado, ele esteve na residência oficial, na Península dos Ministros, para reunião reservada. Sobre a denúncia, garantiu que "foi armação" contra ele e o senador. "Vou provar, no Conselho de Ética, o motivo que me levou a Goiânia. Ninguém me ouviu, não me perguntaram nada. E não fui bisbilhotar a vida de ninguém. Fui a Goiânia por dois motivos: uma reunião com um advogado particular e um processo de coligação." LYRA Principal testemunha no processo em que o senador alagoano é acusado de ter usado "laranjas" na compra de duas rádios e um jornal, o usineiro e ex-deputado João Lyra disse não pretende ser acareado com Renan. Lyra, autor da denúncia, prontificou-se a colaborar com a investigação, desde que não tenha de ir ao Conselho de Ética. Alegou problemas de saúde e idade avançada. "Ele teme ser vítima de interrogações agressivas", disse o relator da representação, Jefferson Péres (PDT-AM). Ele pediu que o usineiro que se manifeste por escrito e, se preciso, apresente mais documentos.

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