Renan ainda é alvo de outras duas investigações no conselho

Senadores apuram acusações de que ele teria beneficiado cervejaria e usado laranjas para comprar rádios

Sônia Filgueiras, Vannildo Mendes e Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2013 | 00h00

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se livrou do primeiro embate na Casa, mas ainda vai enfrentar outras investigações abertas pelo Conselho de Ética com base em representações do PSOL, do DEM e do PSDB. Uma denúncia é de que ele teria usado o mandato para beneficiar a cervejaria Schincariol em negociação de dívidas com a Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).A Schincariol teria contado com a intermediação do senador nessas negociações depois de ter comprado em Alagoas uma fábrica de refrigerantes de seu irmão, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), por R$ 27 milhões. De acordo com reportagem publicada pela revista Veja, que serviu como base para a representação do PSOL, a fábrica estava falida e valeria no máximo R$ 10 milhões.O Conselho de Ética também abriu processo por quebra de decoro parlamentar com base em acusação de que Renan teria usado laranjas para adquirir duas emissoras de rádio e um jornal em Alagoas, uma operação de R$ 2,5 milhões. Depois da compra dos veículos de comunicação, um filho do presidente do Senado passou a aparecer na composição societária de uma das empresas.EX-ALIADOO negócio foi confirmado por um ex-aliado do senador, o usineiro e ex-deputado João Lyra, que até mesmo exibiu documentos. Em entrevista à revista Veja, Lyra admitiu que teve sociedade com Renan na compra das rádios e do jornal alagoanos.O presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), ainda não escolheu o relator para analisar este caso. Já o relator para o caso da Schincariol é o senador João Pedro (PT-AM).O PSOL estuda apresentar ainda uma nova denúncia no conselho contra o presidente do Senado. Renan estaria envolvido em um esquema de desvio de dinheiro público, por meio da concessão de créditos a aposentados e pensionistas, com a participação de ministérios controlados pelo PMDB, o INSS e uma instituição financeira.A denúncia foi feita pelo advogado Bruno Brito Lins, ex-marido de uma assessora do presidente do Senado. Segundo ele, o empresário Luiz Carlos Garcia Coelho, seu ex-sogro, atuaria como lobista e operava um esquema de arrecadação para o senador nos ministérios do PMDB. O banco supostamente envolvido seria beneficiado com a concessão de crédito consignado, em troca de propina.Em depoimentos à Polícia Federal e à Polícia Civil do Distrito Federal, Lins afirmou que Coelho atuava junto a órgãos governamentais em nome de parlamentares para conseguir verbas "mediante pagamento e recebimento de propinas."O PSOL apresentou a denúncia sobre este caso dia 5. A papelada está na Mesa Diretora.O caso julgado ontem pelo plenário do Senado foi o único concluído pelo Conselho de Ética até agora. O processo se referia à versão de Renan sobre o dinheiro que alegou ter obtido para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento.O senador afirmou ter recebido R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos com a venda de gado de suas fazendas. E alega que teria usado parte desse dinheiro para pagar a pensão.Mas a Receita concluiu que vários frigoríficos que compraram gado de Renan não tinham capacidade econômica para executar as operações. Ou seja, agiam como laranjas para acobertar as operações.A suspeita é que o senador comprou notas frias para esquentar rendimentos de origem supostamente irregular. Renan afirma que todas as denúncias são infundadas.Aberto em 6 de junho, o processo chegou ao fim dia 5. Por 11 votos a 4, foi aprovado parecer dos relatores Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES), que pedia a cassação de Renan por quebra de decoro. A decisão foi avalizada no mesmo dia pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.