Renan agora aposta no plenário

Ele está convencido de que será derrotado no conselho

O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2004 | 00h00

Brasília - Convencido de que será derrotado amanhã no Conselho de Ética, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), trabalha para garantir a derrubada no plenário do parecer que pede a cassação de seu mandato. Feito pelos relatores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), o parecer aponta oito procedimentos que caracterizariam quebra de decoro parlamentar. A expectativa é que o relatório seja aprovado por 10 votos a 5, mesmo placar da última quinta-feira, quando o colegiado decidiu pela adoção do voto aberto. Renan não compareceu ontem ao Senado. Segundo assessores, ele ficou em casa telefonando para os colegas. A estratégia é convencer os senadores a absolvê-lo em votação do plenário, onde o peemedebista deve contar com o apoio de petistas fiéis ao comando do Planalto. A votação em plenário deve ocorrer na semana que vem. Antes, o parecer aprovado no conselho será submetido à Comissão de Constituição e Justiça, encarregada de atestar a admissibilidade da representação. Aliados de Renan afirmam que ele quer apressar o processo para que chegue logo ao plenário. Os aliados também abandonaram a idéia de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar o Conselho de Ética a apreciar o parecer em votação sigilosa. Três pontos pesaram na decisão: a certeza de que o tribunal iria considerar tratar-se de questão interna, que deve ser resolvida pelo próprio Senado; poderia parecer mais uma manobra e, por fim, houve o temor de que o STF defendesse o voto aberto."Não pode haver mais nenhum rito protelatório", afirmou o senador Tião Viana (PT-AC). Primeiro vice-presidente do Senado, Tião vê com cautela a decisão do PSOL de representar novamente contra Renan. Segundo ele, a nova representação (seria a quarta) - de que Renan teria sido favorecido por um esquema de arrecadação de propina - deve aguardar a votação da primeira apresentada contra ele.

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