Renan adia agenda com Dilma para viajar ao Rio com Temer

Presidente do Senado faz viagem à sede da Olimpíada com interino e prorroga reunião prevista com petista para discutir detalhes da participação dela durante julgamento do impeachment

Ricardo Brito, Carla Araújo e Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2016 | 22h28

BRASÍLIA - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), adiou um encontro com a presidente afastada Dilma Rousseff para viajar ao Rio, na tarde desta quinta-feira, 18, com o presidente em exercício Michel Temer. A uma semana da reta final do julgamento do processo de impeachment de Dilma, a viagem de Renan com Temer será a primeira desde que o presidente em exercício assumiu interinamente o comando do País, no dia 12 de maio.

Temer está no Rio para fazer um balanço dos Jogos Olímpicos.  Inicialmente, estava previsto um encontro de Renan com Dilma no Palácio do Alvorada para o presidente do Senado discutir os detalhes da participação da petista durante o julgamento. A reunião está marcada para a manhã desta sexta-feira, 19. Dilma vai ao Senado no dia 29 fazer sua defesa pessoalmente no processo.

Nesta quinta-feira, 18, a base aliada de Temer decidiu que todos os senadores podem fazer as perguntas que acharem necessárias sem permitir que Dilma deixe o interrogatório em posição de vítima ou se sobressaia aos senadores. "Não vou abrir mão de um segundo do meu tempo", disse o líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB).

Inicialmente, a intenção era fazer um julgamento breve, que se encerrasse até a segunda-feira, 29. Em jantar com senadores do PSDB na quarta-feira, 17, Temer foi informado da expectativa de que o processo se estenda até 31 de agosto. Apesar de insatisfeito com a previsão, segundo relatos, o peemedebista se conformou.

No Senado, muitos veem a ida de Dilma não como um interrogatório, mas como um debate eleitoral. Entretanto, há preocupação em manter um tom educado e respeitoso com a presidente. Por isso, a ordem para a base de Temer é que os senadores se concentrem em questões técnicas do processo de impeachment, relacionadas às pedaladas fiscais e à edição de decretos de crédito suplementares.

"Vamos recebê-la com todo o respeito. Quem dará o tom da conversa será ela. Falaremos do processo, mas se ela politizar, vai ter resposta", afirmou Cássio. 

Na próxima terça-feira, 23, líderes da base aliada farão uma reunião para transmitir as orientações uns aos outros e depois para as bancadas. Haverá atenção especial com senadores que costumam ser ríspidos, como Magno Malta (PR-ES), Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Ataídes Oliveira (PSDB-TO).

Testemunhas. A orientação para que todos falem está restrita ao interrogatório de Dilma e à fase de pronunciamentos dos senadores. A primeira etapa do julgamento é o depoimento das testemunhas. Para esse momento, a ordem é se revezar, limitando as perguntas aos líderes de partido.

A ideia é conseguir encerrar a fase de testemunhas na madrugada de sexta para sábado, sem que haja necessidade de se reunir no fim de semana. Dessa forma, toda a base de Temer estaria descansada para a fase considerada principal, que é o interrogatório da petista. Entre os aliados de Dilma, não há muitas regras. A única orientação é para que todos falem e usem o máximo de tempo possível. 

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