Renan acusa 'Veja' de fazer 'denúncia falsa' e venda 'nebulosa'

Reportagem da revista deste final de semana diz que o senador seria dono oculto de duas rádios em AL

Rosa Costa e Gerusa Marques, do Estadão

06 de agosto de 2007 | 18h02

O presidente do Senado, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que está sendo processado no Conselho de Ética por suposta quebra de decoro parlamentar, encaminhou nesta segunda-feira, 6, uma carta a cada um dos 80 senadores na qual acusa a revista  Veja de fazer denúncias "falsas" contra ele na reportagem segundo a qual o senador teria usado "laranjas" para comprar duas emissoras de rádio em Alagoas.   Veja também:   Cronologia do caso Renan    Procurador encaminha ao STF pedido de inquérito contra Renan   "Quem sabe (a 'Veja') quer usar-me como cortina de fumaça para que, por suas sombras, acabe por ser celebrada uma nebulosa transação de cerca de R$ 1 bilhão envolvendo a venda de uma concessão de canal de televisão pelo grupo Abril, proprietário da revista 'Veja', a uma empresa estrangeira?"   Segundo Renan, essa operação, sim, é um assunto que "verdadeiramente interessa à sociedade" brasileira. "Talvez fosse o caso", diz o senador, "de investigar o negócio bilionário que se deseja manter na obscuridade." As frases de Renan são uma referência à venda da TVA pela Abril para a Telefônica.   O negócio foi aprovado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) com a condição de que a TVA e a Telefônica alterem o acordo de acionistas da emissora em São Paulo. O caso, agora, vai ser submetido à apreciação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).   Renan começa a carta afirmando que está sendo "vítima" de uma "revista semanal sem limites éticos e qualquer critério jornalístico, travestida de tribunal político, que vem difundindo inverdades" e tentando desonrá-lo. O presidente do Senado encerra a carta dizendo aos senadores que não vai decepcioná-los. "Asseguro a vossa excelência que, tanto no plano ético quanto no moral, nada devo."   "Eu sou um sub-alvo de denúncias mentirosas, ditadas por interesses paroquiais de Alagoas e de uma parte da oposição no Senado, que não se conforma com a popularidade do presidente Lula, de quem sou aliado", disse Renan a jornalistas.   O líder do DEM (ex-PFL) no Senado, José Agripino (RN), propôs um boicote às votações no plenário enquanto Renan presidir as sessões. "Não vou abrir mão de defender a dignidade da casa. Não podemos passar ao País a idéia de que estamos em paz, porque aqui estamos constrangidos, e muito", disse Agripino na tribuna.   Para Renan, o líder do DEM, derrotado por ele nas eleições de fevereiro, estaria buscando uma nova chance de disputar a presidência do Senado. Adversários políticos de Alagoas, como os ex-senadores João Lira (PTB) e Heloísa Helena (PSOL), também estariam interessados na difusão de denúncias, segundo Renan. "Como as primeiras acusações já foram rebatidas, agora fabricam outras, no embalo das maledicências provincianas e do ressentimento dos derrotados", afirmou na carta aos senadores.   De acordo com a assessoria do procurador-geral da República, o pedido de abertura de inquérito apresentado na última sexta-feira ao STF visa a apurar os alegados negócios de Renan Calheiros na compra e venda de gado, sobre os quais há suspeitas de sonegação, fraude e falsidade ideológica. "A PGR solicita a investigação dos aspectos criminais do que está em exame no Conselho de Ética do Senado", disse uma porta-voz do procurador.   A assessoria confirmou que, no dia 10 de julho, Renan enviou ofício ao procurador Antonio Fernando, solicitando que investigasse os documentos sobre compra e venda de gado.   (Com Reuters)

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