Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Renan acusa Planalto de patrocinar criação do PL

Sem citar nomes, presidente do Congresso insinuou que o ministro da Educação e Kassab estavam por trás da ideia de fundar o novo partido

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2015 | 13h04


Atualizado às 21h54

Brasília - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acusou nesta quinta-feira, 26, o Palácio do Planalto de patrocinar a refundação do Partido Liberal (PL) como forma de fortalecer o ministro das Cidades e idealizador do PSD, Gilberto Kassab, e principalmente reduzir o poder do PMDB no Congresso. Renan classificou a atitude como a “pior criação” do grupo de ministros responsável pela articulação política do governo Dilma Rousseff. 

“Como pode o governo patrocinar uma coisa que objetiva diminuir o tamanho de um aliado? Isso é um péssimo exemplo da reforma política que nós vamos ter”, disse Renan, após ser questionado sobre a ideia do PMDB de abrir uma batalha jurídica para impedir que o PL seja criado. “Nós precisamos acabar com essa farra da criação de novos partidos. Principalmente, de partidos patrocinados pelo governo que pretendem fazer a fusão para levar aliados. Do ponto de vista da articulação política dos últimos meses, essa foi a pior criação.”

Sem citar nomes, o peemedebista insinuou que os titulares dos Ministérios da Educação e das Cidades estavam por trás da ideia de fundar o novo partido. Kassab tem negado publicamente ser o principal patrocinador da iniciativa, mas o PL surgiu já com planos de ser fundido ao PSD e, com isso, abrir uma janela de migração de deputados sem o risco de perda de mandato por infidelidade partidária.

Para articuladores políticos do governo, o surgimento do PL e a possibilidade de fusão com outra sigla já existente, como o PSD, poderia enfraquecer o PMDB, partido com maior poder decisório no Congresso. Em reação à iniciativa do Planalto, Renan e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), patrocinaram a aprovação de um projeto que impõe quarentena à fusão de novos partidos.

A lei sancionada por Dilma foi publicada dois dias após o PL ter pedido o registro da sigla no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com isso, os peemedebistas acreditam que uma futura fusão do novo partido com o PSD de Kassab poderá ser feita sem a quarentena, uma vez que o registro foi protocolado antes que as novas regras entrassem em vigor. 

Reação. O tema dominou as reuniões entre integrantes da cúpula do partido nesta semana. Na terça-feira, Renan e outros senadores se reuniram no gabinete do vice-presidente Michel Temer para articular uma reação. Um dia depois, Cunha também reuniu a bancada da Câmara para debater o assunto. Além de endurecer as críticas contra a postura do Planalto, ficou acertado que o partido vai entrar na Justiça para impedir o registro da nova sigla. 

Após participar de um evento em São Paulo ontem, o presidente da Câmara também acusou o governo de usar a máquina pública para ajudar na criação do PL. “De certa forma, é a utilização da máquina para ficticiamente criar um partido que tem um intuito claro de atentar contra o PMDB”, disse Cunha. 

O peemedebista destacou que o processo político foi tumultuado e desgastou ainda mais a relação da sigla com o governo federal. “Este partido não vai ser criado”, afirmou Cunha. / COLABORARAM CARLA ARAÚJO, ELIZABETH LOPES e RICARDO GALHARDO

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