André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Renan acusa denunciante da Polícia do Senado de responder a processo por 'abandono de função'

'É inacreditável que uma 'pinimba' de agentes policiais de um poder acabe definindo uma crise institucional', afirmou

Isabela Bonfim e Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2016 | 21h18

BRASÍLIA - O presidente do Senado minimizou a ação da Polícia Federal, que prendeu quatro policiais legislativos na última sexta-feira, 24, à uma intriga interna e insinuou que o denunciante levou informações à PF como retaliação por sofrer um processo administrativo.

Situação entre direção da polícia legislativa e policial denunciante relembra caso de 2010, em que servidor acusou o Senado de "perseguição". "É inacreditável que uma 'pinimba' de agentes policiais de um poder acabe definindo uma crise institucional. Um delator de um problema interno de Polícia Legislativa, insatisfeito com a prática de moralidade que temos adotado no Senado Federal, faz uma denúncia de uma ação legal. Um servidor que sofre um processo administrativo por abandono de função", disse Renan.

Setores da Polícia Legislativa, mais alinhados com o diretor do órgão, Pedro Carvalho, que foi preso na ação da PF, argumentam que a denúncia foi feita por um policial insatisfeito por responder a um processo administrativo. Entretanto, em entrevista exclusiva ao Estadão, o policial legislativo Igor Bosco da Silva, argumenta que não foi motivado por qualquer processo legislativo. Pelo contrário, sua denúncia aconteceu em maio, três meses antes de abrirem contra ele um processo.

O policial também não pode ser considerado um delator, como disse Renan, vez que ele não é investigado na operação, nem assinou qualquer acordo de delação em troca de abrandamento de pena ou outras vantagens. Neste caso, ele se trata apenas de um denunciante.

Precedentes. A atual situação de embate entre o policial denunciante do esquema e o diretor da Secretaria de Polícia do Senado não é inédita. Caso semelhante aconteceu em 2010 quando, após denunciar irregularidades na Polícia do Senado, um policial legislativo disse sofrer assédio moral e ser perseguido pelo diretor do departamento, servidores da Mesa Diretora do Senado e também senadores.

O servidor em questão, o policial legislativo Rubens de Araújo Lima, também respondeu a um processo legislativo por "falta ao serviço e insubordinação". Ele levou à Mesa Diretora do Senado uma espécie de dossiê em que relatava histórico de supostas irregularidades do Diretor da Polícia do Senado, Pedro Ricardo de Araújo Carvalho, mesmo diretor atual da instituição, que foi preso na ação da PF na última sexta. 

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