Remessa para China é apurada

Documento indica transferência de US$ 1 milhão para conta no Hongkong and Shanghai Banking

Rodrigo Rangel, O Estadao de S.Paulo

16 de julho de 2009 | 00h00

A partir de uma das cinco frentes de investigação abertas pela Operação Boi Barrica, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal passaram a rastrear contas secretas supostamente mantidas por Fernando Sarney no exterior. Há pouco mais de um mês, os investigadores pediram auxílio às autoridades chinesas para levantar todas as informações sobre uma remessa de US$ 1 milhão para um banco em Qindao, na China. A Procuradoria-Geral da República teve de fazer até licitação para contratar um tradutor que pudesse transcrever o pedido de cooperação para o mandarim. Além da remessa para a China, estão sob investigações transações em contas em paraísos fiscais do Caribe. O Brasil tem acordo de cooperação com a China. O pedido brasileiro foi enviado por meio do Departamento de Recuperação de Ativos do Ministério da Justiça. Na primeira fase da investigação, a PF e o Ministério Público reuniram documentos, e-mails e conversas telefônicas que tratam das operações financeiras no exterior. De acordo com as indicações contidas nos documentos, a maioria das contas é movimentada por Gianfranco Perasso, um dos colegas de Fernando Sarney na Escola Politécnica da USP - segundo a polícia, ele é uma espécie de laranja de luxo do empresário. As operações de transferência de recursos passam por bancos de Nova York. Do relatório da PF, consta cópia de uma autorização, assinada pelo próprio Fernando Sarney, para transferir US$ 1 milhão para uma conta mantida numa agência do Hongkong and Shanghai Banking, em Qindao.A conta de destino do dinheiro está em nome da Prestige Cycle Parts & Accessories Limited - que pelo nome seria uma empresa de peças e acessórios de bicicletas. Há referências, ainda, a contas mantidas em bancos nas Bahamas e nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecidos paraísos fiscais do Caribe. Em e-mails interceptados pela PF, há referência a um escritório no Panamá especializado em gerenciar negócios em paraísos fiscais. Numa das conversas, mantida com Gianfranco Perasso, Fernando Sarney diz que precisa levantar o que seria, segundo a polícia, "grande quantidade de dinheiro para pagamento a colaboradores". Ele faz referência a "dois americanos". Para a PF, seriam US$ 2 milhões. "Dois inteiros, né?", pergunta Gianfranco. "É algo em torno", responde Fernando Sarney.

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