RICARDO MORAES/REUTERS
RICARDO MORAES/REUTERS

Relembre polêmicas ambientais do governo de Jair Bolsonaro

Discurso do presidente tem causado preocupação em parte do setor do agronegócio brasileiro por reflexos na imagem internacional do País

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2019 | 11h47

Em reportagem publicada pelo Estado nesta quarta-feira, 7, dirigentes de entidades do agronegócio demonstraram preocupação com a retórica ambiental do governo de Jair Bolsonaro, especialmente após publicações estrangeiras como a revista britânica The Economist criticarem a atual política ambiental do Brasil. “A gente está vivendo uma sequência de fatos que, de alguma maneira, está repercutindo lá fora”, admitiu Luiz Cornacchioni, diretor da Associação Brasileira do Agronegócio, uma das principais entidades de representação do setor no País. 

Relembre, abaixo, declarações e ações do governo que causaram controversas no setor agropecuário. 

Garimpo em terra indígena

O presidente Jair Bolsonaro afirmou no último mês que pretende criar “pequenas Serras Peladas” que poderiam ser exploradas tanto por índios quanto por estrangeiros. Um grupo de estudo sobre o tema chegou a ser criado no Ministério de Minas e Energia. Segundo estimativas oficiais, a mineração pode atingir 1/3 das áreas indígenas do País

A medida foi criticada no Congresso Brasileiro do Agronegócio esta semana. “Falar em garimpar em território indígena serve a quem? O governo deveria estar falando em métodos e processos para vigiar a Amazônia para valer”, afirmou o presidente do Instituto CNA, braço da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Roberto Brant, em seu discurso. A preocupação é de que a imagem do agronegócio brasileiro no exterior, com esse tipo de medida, possa prejudicar negociações. 

Demissão no Inpe

No início deste mês, o então diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, foi exonerado após a instituição divulgar dados que mostram alta do desmatamento da AmazôniaO pesquisador estava no Inpe desde 1970 e cumpria mandato à frente do órgão até 2020. A origem do conflito entre eles foi a divulgação de dados mostrando que o desmatamento observado pelos alertas entre agosto do ano passado até 31 de julho de 2019 foi 40% maior do que o período anterior. 

"Eu acho até que se um funcionário como ele descobre um dado desse, ele tinha que chegar apavorado até para os ministros para falar olha o que vai estourar, o que a gente vai divulgar, o absurdo. Avisa o presidente para não ser surpreendido", afirmou Bolsonaro. "Ele tem que manter reservados esses dados antes de sair (...) Não é a posição de um brasileiro que quer servir a sua pátria, (que) está preocupado com os negócios do Brasil. É lamentável". 

Exoneração na ICMbio

Em abril, o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Adalberto Eberhard, pediu exoneração do cargo após conflitos com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Ele alegou “motivos pessoais” para o pedido, mas a decisão ocorreu dias depois de uma reunião conturbada com produtores rurais no Rio Grande do Sul. 

Enquanto visitava um parque nacional com Eberhard, Salles determinou abertura de processo administrativo contra servidores do ICMBio por eles não estarem presentes ao evento.

Manifesto de ex-ministros

Em maio, ex-ministros do Meio Ambiente que atuaram nos governos Itamar, FHC, Lula, Dilma e Temer criticaram o que chamam de desmonte da governança socioambiental do Brasil e alertaram para consequências da continuidade das ações. 

"Estamos diante de um risco real de aumento descontrolado do desmatamento na Amazônia. Os frequentes sinais contraditórios no combate ao crime ambiental podem transmitir a ideia de que o desmatamento é essencial para o sucesso da agropecuária no Brasil. A ciência e a própria historia recente do País demonstram cabalmente que isso é uma falácia e um erro que custará muito caro a todos nós", diz trecho do comunicado. 

Abandono do Acordo do Clima 

Em dezembro do ano passado, o presidente afirmou que o Acordo de Paris precisava de mudanças e disse que o Brasil poderia sair do tratado. O acordo estabeleceu a meta de limitar o aumento da temperatura do planeta a 1,5ºC até 2100. Em janeiro, nos primeiros dias de gestão e após críticas de integrantes do setor e convencido de que a medida poderia trazer prejuízos econômicos, o governo afirmou que ficaria no tratado. 

Transferência da Embaixada de Israel

Apesar de não estar ligada especificamente ao meio ambiente, foi motivo de preocupação de parte do setor agropecuário a intenção do presidente Jair Bolsonaro de transferir a Embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Os países árabes, a quem a medida desagradaria, são o quinto destino das exportações brasileiras. As vendas externas para o conjunto dos países da região somaram US$ 13,6 bilhões em 2017. 

Após repercussão negativa, o Brasil optou pela abertura de um escritório diplomático em Jerusalém como uma extensão da Embaixada. Segundo o governo, o escritório vai tratar das questões de comércio, ciência e tecnologia.

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