Família Bolsonaro / Reprodução
Família Bolsonaro / Reprodução

Relembre em frases os embates entre a família Bolsonaro e o PSL

Jair, Flávio, Eduardo e Carlos têm disparado ‘fogo amigo’ a membros do partido, ao mesmo tempo em que servem de alvo para críticas

João Ker, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2019 | 09h49

A deterioração do relacionamento entre os Bolsonaro e o Partido Social Liberal (PSL) atingiu o ápice após o presidente pedir publicamente para um apoiador “esquecer” a sigla pela qual se elegeu em 2018. O episódio gerou críticas entre membros da família Bolsonaro e do partido, ao qual são filiados, além do presidente, seus filhos Flávio, senador e comandante do PSL no Rio, e Eduardo, deputado federal e líder em São Paulo.

Abaixo, relembre outros embates entre membros do PSL e da família Bolsonaro:

"Bolsonaro precisa mudar sua mentalidade de deputado"

Com três meses de governo, a deputada estadual pelo PSL em São Paulo Janaína Paschoal criticou a postura do presidente que, a seu ver, ainda estava agindo como um “deputado temático”. "Não estou falando de abandono de convicções. Estou falando sobre a necessidade de entender que ser presidente é muito diferente de ser um deputado temático, com todo respeito aos parlamentares que se limitam a um único tema", escreveu em seu Twitter.

“Temos que ficar limpando as cagadas do governo”

Antes de ser expulso do PSL, o deputado federal Alexandre Frota criticou abertamente algumas decisões de Jair Bolsonaro e chegou a expor os rachas dentro do partido: "Querem saber quando vamos nos entender? Todos os dias temos que ficar limpando as cagadas do governo e aí temos que ouvir um monte de merda que não é culpa nossa".

Bolsonaro tem que “dar um basta nesse astrólogo”

O guru de Bolsonaro, Olavo de Carvalho, foi criticado pelo Delegado Waldir, líder do PSL na Câmara dos Deputados, que também se mostrou contrário à sua relação com o presidente. “O presidente não pode ficar à mercê dessas pessoas e pegar a opinião do 'louco do dia'", disse.

“O PSL está cada vez mais parecido com o PT”

Janaína Paschoal se posicionou publicamente contra os atos pró-Bolsonaro convocados em maio deste ano, e ameaçou deixar o PSL, alegando que as pessoas precisavam de um “choque de realidade”. “Não tem sentido quem está com o poder convocar manifestações! Raciocinem! Eu só peço o básico! Reflitam!", escreveu. À época, Bivar também disse que as manifestações eram “sem sentido”.

A deputada também não poupou críticas a Bolsonaro que, na época, havia interferido na política de preço dos combustíveis da Petrobrás: “Com a decisão de ontem do nosso presidente, o L de liberal já não é tão liberal assim. O PSL está cada vez mais parecido com o PT. Eu digo e repito, partidos são verdadeiras prisões. Uma lástima!".

Bolsonaro fica ‘chateado’ e ‘irritado’ com o PSL

Em junho, Luciano Bivar foi acusado de prestar contas do PSL apresentando à Câmara e ao Tribunal Superior Eleitoral notas fiscais de uma empresa que vende este tipo de documento. De acordo com aliados do presidente ouvidos pelo Estado, Bolsonaro teria se irritado com os escândalos em torno do PSL e temeu que sua imagem fosse prejudicada pelo partido que o elegeu.

No mês anterior, o presidente já tinha manifestado seu descontentamento com o partido em entrevista à Veja, quando citou o caso de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, e disse que alguns deputados eleitos pela sigla não tinham experiência. “O pessoal chegou aqui completamente inexperiente, alguns achando que vou resolver o problema no peito e na raça. Não é assim."

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O pessoal chegou aqui completamente inexperiente, alguns achando que vou resolver o problema no peito e na raça. Não é assim.
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Jair Bolsonaro, presidente da República

Bolsonaro não participa de campanha nacional do PSL

Em agosto, o PSL lançou oficialmente sua campanha nacional para conseguir novos filiados, de olho nas eleições municipais de 2020. Apesar do plano de expandir sua presença pelas prefeituras ter contado com vídeos gravados por Flávio e Eduardo, o próprio presidente não participou do recrutamento.

Dirigentes do PSL acionam Justiça contra Eduardo

Dirigente do PSL em São Paulo desde junho, Eduardo Bolsonaro afastou os presidentes de 73 dos 280 diretórios da sigla no Estado e foi rebatido com ações na Justiça, que conseguiram reverter pelo menos 10 dessas decisões. Sua justificativa foi a suposta irregularidade na prestação de contas, dupla filiação e até casos de condenação por estelionato.

Como resposta, os dirigentes criaram um grupo no WhatsApp para compartilhar modelos de carta pedindo a Bivar que restituísse Major Olímpio ao seu posto original, hoje ocupado por Eduardo.

Situação “insustentável”

Após uma reunião entre Jair Bolsonaro e deputados do PSL, aliados do presidente afirmaram que sua situação no partido era “insustentável”. De acordo com sua advogada, Karina Kufa, o motivo principal do descontentamento seria a “falta de transparência” da sigla nas alterações de estatutos e eleições internas.  

“Queimado pra caramba”

O clima de tensão se intensificou após Jair Bolsonaro ter pedido publicamente a um apoiador para “esquecer” o PSL e afirmar que Luciano Bivar, dirigente do partido, estava “queimado pra caramba”. A insatisfação do presidente teria crescido após sua dificuldade em controlar a sigla para as eleições 2020.

“Bolsonaro não tem mais nenhuma relação com PSL”

Como resposta à afirmação de que estaria “queimado pra caramba”, Bivar declarou que Bolsonaro não tinha mais relações com o partido e afirmou ao Broadcast Político/Estadão: “Quando ele diz a um estranho para esquecer o PSL, mostra que ele mesmo já esqueceu”.

“PSL não é dinastia”

Em entrevista à Rádio Eldorado, Major Olímpio, líder do PSL no Senado, defendeu a permanência de Bolsonaro no partido, mas não poupou críticas aos filhos do presidente: “Estou 100% com o presidente, mas não concordo em absolutamente nada com posturas nem do Eduardo e tampouco do Flávio. (...) Partido político não é dinastia. Pra mim, os filhos dele são filiados como eu sou e têm que ter o mesmo respeito que todo filiado tem”.

“Não temos um grande partido conservador”

No mesmo dia, Eduardo afirmou que o Brasil “não tem um grande partido conservador” e que o PSL ainda está “se identificando” com a ideologia.  “(...) Não temos também um grande partido conservador, que se diga conservador com as suas bandeiras levantadas. Temos o PSL, sim, mas estamos passando por uma fase onde a gente está se identificando”, declarou na abertura da Conservative Political Action Conference Brasil.

Carlos e Major Olímpio trocam ofensas online

No dia seguinte à declaração de Eduardo, seu irmão Carlos protagonizou uma troca de ofensas nas redes sociais com Major Olímpio. Enquanto o “filho 02” do presidente chamou o senador de “bobo da corte” que “fala absurdos”, este retrucou: “Não vou permitir molecagem comigo e assistir calado aos ‘príncipes’ prejudicando o governo do pai”.

"Qualquer casamento é passível de divórcio"

Nesta segunda, 14, o presidente ainda não havia tomado uma decisão oficial sobre a sua posição no PSL, mas através do porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, afirmou que "qualquer casamento é passível de divórcio". "Eventualmente, chega-se à situação que é preciso que haja divórcio. Mas ele não qualificou que este momento, ou que este casamento, vai gerar divórcio. Ao menos neste momento", afirmou o general. 

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