Fernando Bizerra Jr / EFE
Fernando Bizerra Jr / EFE

Relembre a relação entre Cesare Battisti e o PT

Italiano que foi extraditado da Bolívia para Roma conseguiu asilo político no Brasil durante o segundo governo de Luiz Inácio Lula da Silva; ele ficou no Brasil entre 2004 e 2018

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2019 | 10h48

O italiano Cesare Battisti, enviado da Bolívia para a Itália após fugir do Brasil, estreitou sua relação a esquerda brasileira após ter vindo para o Brasil em 2004. Três anos mais tarde, foi preso e, depois, teve status de refugiado político concedido pelo então ministro da Justiça do Brasil, o petista Tarso Genro. A decisão foi criticada na Itália, que pediu a extradição por entender que os crimes não eram políticos. Ele é acusado de cometer quatro homicídios nos anos 1970. 

Veja a cronologia de Batisti ano a ano 

No último dia do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2010, o então presidente concedeu asilo político a Battisti e, mais tarde, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu um habeas corpus a Battisti, afirmando que a decisão de Lula de não extraditar Battisti era um “ato soberano”. A Corte determinou a soltura do italiano, que passou a viver no interior de São Paulo, em Cananeia. 

No entanto, em novembro de 2018, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, revogou uma liminar que impedia a prisão do italiano, ele passou a ser considerado como foragido. No último mês, o então presidente Michel Temer pediu a extradição de Battisti

Na campanha eleitoral, ele foi constantemente associado por Jair Bolsonaro a partidos como o PT e o PSOL. Battisti afirmou mais de uma vez que escolheu o Brasil porque o País vivia naquela época um governo de esquerda e conhecia outros refugiados por aqui. 

O ex-senador petista Eduardo Suplicy, hoje vereador em São Paulo, chegou a pedir novo julgamento para Battisti. "Há evidências de que ele não praticou os quatro assassinatos pelos quais foi condenado", afirmou, em 2017, em carta enviada ao cônsul geral da Itália no Brasil. Ele também se disse preocupado com a postura de Bolsonaro na campanha.  

Após a extradição de Battisti, no entanto, lideranças do Partido dos Trabalhadores como a deputada federal eleita Gleisi Hoffmann (PR), presidente da sigla, e o deputado federal Paulo Pimenta (RS), líder da bancada da Câmara dos Deputados, não se manifestaram diretamente sobre a situação. Gleisi escreveu nas redes sociais apenas que Bolsonaro deveria "falar menos do PT" e "acertar seu governo"

Ligações com o comunismo 

Battisti nasceu no ano de 1954 em uma família de comunistas. Desde jovem, fez parte do Partido Comunista Italiano (PCI) e, na década de 1970, se envolveu com o grupo guerrilheiro Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Os quatro homicídios de que Battisti é acusado ocorreram em ações desse grupo. Ele foi acusado de participação nos crimes pelo ex-companheiro Pietro Mutti, que fez delação premiada em troca de redução de pena. Em 1987, Battisti foi julgado à revelia e condenado à prisão perpétua — sentença que seria confirmada em 1993. 

Relembre a captura de Battisti 

A Polícia Federal fez ao menos 32 operações para capturar Battisti. Ele estava foragido desde o dia 14 de dezembro, após o presidente Michel Temer decidir por sua extradição. Cesare Battisti foi preso pela unidade da Polícia da Bolívia que representa a Interpol, com base em informações fornecidas pela polícia italiana. Ele chegou a Roma na manhã de 14 de janeiro. 

Battisti foi condenado à prisão perpétua pelos assassinatos de quatro pessoas na Itália: dois policiais, um açougueiro e um joalheiro. Os crimes ocorreram entre 1977 e 1979, mas ele nega as acusações. Ao Estado, o italiano disse que o acusam de um homicídio que aconteceu quando ele já não estava mais no país. 

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