Beto Barata/Estadão
Beto Barata/Estadão

Relembre 7 momentos de tensão entre PMDB e PT no governo Dilma

 1.

O Estado de S. Paulo

14 de janeiro de 2015 | 14h01

Código Florestal - Maio de 2011

O então líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), capitaneou as negociações com a base aliada para viabilizar a votação do Código Florestal. As conversas agradaram à maioria e mobilizaram mais de 300 deputados, o que colocou o PT em segundo plano e deixou o partido da presidente Dilma Rousseff em alerta. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT), que estava no exterior, não foi nem sequer consultado sobre a data de votação do Código Florestal, definida pelo PMDB em uma costura com os aliados e a oposição.

 

2.

Orçamento impositivo - Agosto de 2013

Bandeira da eleição de Henrique Eduardo Alves (RN) para a presidência da Câmara, a proposta de tornar obrigatória a liberação de emendas parlamentares - o chamado Orçamento impositivo - mobilizou o Congresso e teve o PMDB à frente dessa articulação. O governo resistiu ao projeto, em função do possível impacto nas contas públicas. A demanda no Legislativo era histórica e vista como uma forma de reduzir a pressão do Executivo sobre os parlamentares para aprovação de projetos de seu interesse. A proposta ainda está tramitando (precisa ser votada em 2º turno na Câmara).

 

3.

A criação do Blocão - Fevereiro de 2014

Insatisfeitos com a relação com o Palácio do Planalto e o PT, um grupo de oito partidos da base aliada resolveu formar um "bloco informal" na Câmara dos Deputados para se contrapor ao governo e estabelecer as próprias prioridades de votações na Casa. Um dos principais articuladores do "Blocão" é o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), desde então desafeto declarado do governo Dilma. Além de querem mais autonomia na pauta de votações, os partidos se queixam do espaço dado ao PT no ministério e antecipam conversas para as coligações eleitorais.

4.

Marco Civil - Maio de 2014

Líderes da base aliada do governo na Câmara defenderam o adiamento da votação do projeto do Marco Civil da internet enquanto os problemas de articulação política do governo não fossem resolvidos. O receio dos aliados era que, com a base rachada, as alterações no texto defendidas pelo líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), ganhassem força e o governo fosse derrotado em um tema considerado prioritário pelo Palácio do Planalto. Após atrasos na votação, o Planalto conseguiu aprovar o texto a tempo de apresentá-lo em evento mundial da internet realizado no País, como Dilma queria.

 

5.

Eleições nos Estados - Setembro de 2014 

PT e PMDB fecham menos alianças regionais que em 2010 e se enfrentam em Estados como Rio Grande do Sul, Ceará, Rio e São Paulo. O candidato ao governo paulista, Paulo Skaf, resistiu a declarar voto em Dilma. Além disso, 69 das 92 prefeituras comandadas pelo PMDB no Estado não declararam apoio nem a Skaf nem ao PT de Alexandre Padilha e apoiam o tucano Geraldo Alckmin, que seria reeleito em primeiro turno. 


6. 

Conselhos populares - Outubro de 2014

Apenas dois dias depois da vitória da presidente Dilma Rousseff, o PMDB da Câmara liderou uma nova rebelião da base aliada e, com apoio da oposição, provocou a primeira derrota do Palácio do Planalto após a reeleição. Apesar das manobras regimentais do PT para evitar a conclusão da votação em plenário, os deputados aprovam o projeto que susta os efeitos de um decreto editado por Dilma que criou novas instâncias de participação popular nos governos e nas agências reguladoras. Henrique Alves foi um dos principais articuladores da votação contrária ao governo.

 

7.

Regulação da mídia - Janeiro de 2015

Ao tomar posse como ministro das Comunicações, o petista Ricardo Berzoini diz que o governo quer discutir "sem pressa" uma proposta de regulação econômica dos meios de comunicação. "Todos os setores da economia que têm grande impacto social, democrático e econômico são regulamentados. Queremos fazer um debate amplo sobre o tema", afirmou, enfatizando que o principal alvo da discussão serão os veículos detentores de concessão pública, caso de emissoras de rádio e TV. Integrantes do PMDB se apressam a dizer que veem o tema com reserva. No Twitter, Eduardo Cunha é mais enfático e diz que será "radicalmente contrário" a um eventual projeto de regulação da mídia. "Não confundam a pauta congressual da governabilidade que apoiaremos com a pauta ideológica do PT, que não apoiaremos de forma alguma", escreveu.

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