Relatório sobre Sudam chega ao Senado

O corregedor geral do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), encaminhará à Comissão de Ética um relatório sobre os documentos enviados pela Polícia Federal que comprometem o presidente da Casa, Jader Barbalho (PMDB-PA) em fraudes na extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Caberá à comissão decidir se abrirá novo processo contra Jader, que já está sendo investigado por suspeitas de envolvimento nos desvios no Banco do Estado do Pará (Banpará). Tuma recebeu na semana passada diversos documentos enviados pelo delegado Hélbio Dias Leite, que preside o inquérito sobre as fraudes na Sudam. Em alguns depoimentos, empresários acusam diretamente Jader de ser um dos beneficiários do esquema, que envolve, segundo investigações da PF, recolhimento de propinas para campanhas eleitorais do PMDB. O operador, conforme a PF e Ministério Público Federal, seria o deputado federal José Priante (PMDB-PA), primo do senador. Priante divulgou uma nota contestando as investigações da PF e MPF. Segundo a assessoria do parlamentar, ele jamais solicitou ou colocou verbas de empresários para campanhas eleitorais em troca de liberação de recursos da Sudam. "Qualquer pessoa que, em depoimento à Polícia Federal, ao Ministério Público ou em declarações à imprensa tente envolver o deputado José Priante com irregularidades na Sudam será por ele interpelado judicialmente", afirmou a assessoria do deputado, em nota à imprensa. Priante é citado em diversos depoimentos colhidos pela PF em Altamira, um dos redutos eleitorais de Jader. O deputado contestou as investigação da PF afirmando que, em seis meses de apuração, não se conseguiu encontrar um único documento que comprove a participação do parlamentar nas irregularidades. "Sem provas, os investigadores recorrem a depoimentos que, por não refletirem a verdade, não se sustentam", diz o comunicado de Priante. Quase todos os depoimentos colhidos pela PF são de empresários de Altamira ligados ao PMDB e que ajudaram numa caixinha formada na cidade durante a campanha do partido que elegeu Domingos Juvenil, ex-assessor do senador, para a prefeitura local. Conforme Priante, as acusações contra ele e seu primo fazem parte "de uma estratégia política que tem o propósito de atingir Jader Barbalho." No relatório, Tuma vai fazer um resumo de todos os depoimentos, além de mencionar o pedido do procurador da República em Tocantins, Mário Lúcio de Avelar, para que o caso seja analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), já que existe o envolvimento confirmado de Jader e Priante. No mesmo relatório, o corregedor vai anexar um levantamento geral sobre as fraudes, feitos pelo delegado Dias Leite. Caberá ao novo presidente da Comissão de Ética, Juvêncio da Fonseca (PMDB-MS) decidir se coloca o caso na pauta ainda esta semana. Juvêncio é aliado de Jader, de quem recebeu o aval para se filiar ao PMDB.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.