Relatório sobre Jader pode ser votado após o feriado

O presidente em exercício do Conselho de Ética, senador Geraldo Althoff (PFL-SC), pretende votar o relatório da comissão que está investigando o suposto envolvimento do senador Jader Barbalho (PMDB-PA) em denúncias de corrupção, na primeira semana após o feriado de 7 de setembro. Essa decisão foi tomada hoje durante conversa entre Althoff e o senador Romeu Tuma (PFL-SP) que, como coordenador da comissão, prometeu entregar o texto final a Althoff no próximo dia 6. Tuma confirmou hoje a vários senadores que vai pedir no relatório a abertura de processo disciplinar contra Jader Barbalho por quebra de decoro parlamentar, sem citar, contudo, o tipo de punição. Caso ninguém peça vista do relatório, o mesmo será encaminhado à Mesa do Senado, que decidirá ou não pela representação contra o senador. Mas a expectativa é de que o PMDB tente adiar a votação do relatório, tentando forçar o retorno de Jader à presidência do Senado antes do desfecho da comissão. Senadores de oposição, entanto, estimam que, para não correr o risco de perder os direitos políticos, Jader Barbalho renunciaria ao mandato, caso o pedido seja aprovado na Comissão. Assim, repetiria o gesto dos senadores Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda. No entanto, nem mesmo os aliados de Jader afirmam ter condições de prever o que ele pretende fazer se a comissão optar pela abertura do processo. "Uma coisa é certa: ninguém será cassado sem provas", garantiu um senador ligado a Jader, prevendo que o presidente licenciado do Senado poderá, inclusive, enfrentar a abertura de processo e não renunciar ao mandato. "Ele já não tem nada a perder e nada a ganhar", completou o mesmo senador, para quem as provas materiais ainda não foram obtidas pelo Conselho de Ética. Os aliados de Jader no Senado não só desconhecem sua estratégia, como foram surpreendidos pelo comportamento adotado durante o depoimento de ontem. Jader combinou que sua defesa seria limitada ao parecer do Banco Central, de 1992, segundo o qual o BC não conseguira identificar provas contundentes para indiciá-lo como beneficiário do desvio do Banco do Estado do Pará (Banpará). No entanto, ele afirmou, pelo menos em três momentos, que não foi beneficiado do desvio, dando munição à comissão para pedir abertura de processo. Além disso, fez ameaças veladas a colegas do Senado, argumentando que eles também poderiam ser punidos por fatos ocorridos antes do mandato parlamentar. Entre os colegas que poderiam ser investigados, Jader citou o senador José Sarney (PMDB-MA), cujo nome vem sendo articulado para substituí-lo na presidência do Senado. "Até parece que ele quis queimar Sarney", concluiu um amigo de Jader.

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