Relatório pede prisão de suspeitos da morte de Toninho do PT

A polícia civil de Campinas concluiu hoje o relatório do inquérito sobre a morte do prefeito Antonio da Costa Santos, atingido por um tiro na noite de 10 de setembro passado. No documento, que deveria ser encaminhado entre hoje e amanhã à Justiça, o presidente do inquérito, o delegado do setor de homicídios José Roberto Micherino de Andrade, pede a prisão preventiva de três dos quatro suspeitos do crime. O encaminhamento do relatório é uma manobra da polícia para tentar manter presos os acusados do assassinato de Toninho do PT, como era conhecido o prefeito. As prisões temporárias, prorrogadas por 60 dias, começam a vencer na próxima quinta-feira. O delegado seccional Osmar Porcelli esclareceu, porém, que as investigações continuam e que novas testemunhas deverão ser ouvidas na próxima semana. Ontem a prefeitura de Campinas divulgou uma nota pública em que sugere o afastamento de Porcelli do caso e questiona a credibilidade da polícia de Campinas. A prefeita Izalene Tiene (PT) lamentou principalmente o encerramento do inquérito e o fato de a única testemunha ocular do assassinato ter alegado que teria sido pressionada a relatar o que de fato não viu. Essa testemunha foi ouvida na segunda-feira pela polícia civil e contou, em depoimento, que teria visto duas motos próximas ao carro do prefeito. Segundo ela, os ocupantes de uma das motos atirou contra o Palio em que estava Toninho. A partir dessas declarações, uma perita elaborou um laudo e um croqui do local do crime. Dois dias depois, a mesma testemunha disse ao juiz corregedor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Iberê Castro, que tinha sido forçada a fazer as declarações. Porcelli negou e alegou que não poderia pressionar a testemunha a revelar os detalhes que constam no depoimento e que permitiram a elaboração do laudo. O delegado lembrou que essa testemunha tinha sido ouvida na madrugada do assassinato, mas fez um depoimento contido. "Percebemos que ela sabia mais e não revelou por medo", contou. Depois de a polícia procurá-la novamente, segundo Porcelli, ela teria concordado em ampliar as declarações porque a polícia deu garantias de que teria a identidade preservada e obteve inclusive a transferência de local de trabalho junto à sua empregadora. A testemunha trabalhava como vigia de um dos estabelecimentos às margens da Avenida Mackenzie, onde ocorreu o crime. Porcelli acrescentou que as investigações terão continuidade e incluem o Vectra prata, abandonado na rodovia Dom Pedro I, próximo ao local do assassinato.Hoje à tarde um grupo de onze vereadores de Campinas se reuniram com promotores do Ministério Público para solicitar informações sobre o inquérito. Segundo o presidente da Câmara, Romeu Santini (PSDB), os promotores disseram que ainda há informações a serem investigadas pela polícia, mas não revelaram detalhes. No final da tarde, o grupo de dirigiu à delegacia seccional para se reunir com Porcelli. Eles pretendiam pedir a continuidade das investigações antes do encerramento do inquérito.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.