Relatório mostra ricos cada vez mais isolados no Rio

Um processo de auto-segregação conduzido pelas classes mais ricas, que escolhem para morar cada vez mais áreas e condomínios fechados, ameaça uma das principais características cariocas: a mistura social, com a convivência muito próxima de ricos e pobres. A tendência é apontada no sexto capítulo do "Relatório de Desenvolvimento Humano do Rio de Janeiro", que será divulgado hoje."Há uma mistura social cada vez maior, só que os espaços elitizados se tornam cada vez mais elitizados", diz Luiz Cesar Ribeiro, professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ippur/UFRJ) e autor do capítulo "Habitação: Segregação, Desigualdade e Sustentabilidade Urbana". "São as camadas superiores que se isolam do resto." O relatório, de dez capítulos, é resultado de uma parceria entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a prefeitura do Rio.O trabalho chega a apontar o que define como "modelo carioca de segregação urbana". Segundo o texto, ?o principal traço é a combinação entre distância social, expressa pelas gritantes diferenças de estrutura social e das condições urbanas, e a forte proximidade territorial entre as favelas e os bairros que formam as áreas superiores da cidade".Diferenças - O relatório aponta ainda algumas distâncias sociais na capital fluminense. ?A média de escolaridade nas áreas superiores é de 9,7 anos, enquanto no conjunto da metrópole é de 5,7 e nas favelas de 4,1. Dos moradores, 87% são brancos, quando na cidade os brancos representam 54% e nas favelas apenas 36%. O morador da favela ganha em média apenas 13% do que ganha o morador das áreas superiores?, ressalta o documento.

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