Relatório do PT nega existência de mensalão e poupa petistas

O voto em separado que o PT vai apresentar para contestar o relatório oficial da CPI dos Correios não reconhece a existência do esquema que ficou conhecido como "mensalão", pelo qual o PT teria usado dinheiro do empresário Marcos Valério Fernandes para pagar propina a deputados em troca de apoio ao governo. E retira da lista de pedidos de indiciamentos ex-deputado e ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), do ex-ministro Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação de Governo)e de José Genoino, ex-presidente do PT. O documento pede ao Ministério Público Federal que avalie as condutas de Dirceu, do publicitário Duda Mendonça e do ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, entre outros, para "eventual tipificação delituosa ou prosseguimento das investigações." No caso de Duda, o pedido é para que o Ministério Público avalie a eventualidade de ter praticado sonegação fiscal, crime contra o sistema financeiro e a ordem tributária e lavagem de dinheiro.Origem do valeriodutoO texto afirma que a origem do esquema montado pelo empresário Marcos Valério Fernandes está no PSDB e remonta à campanha ao período de 1997 a 1998, quando o então governador de Minas, atual senador Eduardo Azeredo (PSDB), fez campanha para se reeleger. "Descobriu-se ali o DNA do esquema Marcos Valério", afirma o voto em separado, que já está sendo conhecido como "relatório paralelo". O documento do PT afirma haver evidências de que Marcos Valério manteve relacionamento constante e intenso com o senador (então governador) Eduardo Azeredo, desde a campanha, em 1998." O PT pretende que esse relatório seja votado na sessão de amanhã da CPI. O texto diz também que, no período 97-98, o governo de Minas era "o sexto maior alimentador das contas de Marcos Valério."Ao contrário do relatório de Serraglio, que não se estende muito sobre o esquema relativo a Eduardo Azeredo - embora tenha recomendado o indiciamento do atual senador -, o voto em separado do PT dedica muitas páginas ao caso. Novos nomesO documento mantém a recomendação apara que indicie o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza por crimes de lavagem de dinheiro e tráfico de influência. O texto acrescenta novos nomes à lista de pedidos de indiciamento e não constam do relatório oficial da CPI, elaborado pelo deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). São eles: os deputados Custódio de Mattos (PSDB), José Militão (PTB) e Romel Anízio (PP), por suposta prática de crime eleitoral ou contra a ordem tributária. O texto do PT pede que o Ministério Público investigue também uma lista de pessoas que operavam o esquema de Marcos Valério "para partidos ou para aqueles que de algum forma se beneficiaram" e recomenda que o MPF prossiga as investigações também nos casos de assessores partidários, como João Cláudio Genu e Jacinto Lamas (PTB), além do ex-deputado e ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto. O "relatório paralelo" que o PT pretende apresentar para contestar o relatório final da CPI Mista dos Correios recomenda o indiciamento de vários acusados que o texto reúne sob a expressão "Grupo Opportunity": Daniel Dantas, Humberto José Rocha Braz, Carla Cicco (presidente da Brasil Telecom à época), Carlos Bernardo Torres Rodenburg (sócio de Daniel Dantas), Antonio José Dos Santos (presidente da Telemig Celular) e do jornalista Leonardo Attuch. O relatório afirma que Dantas e os demais devem ser indiciados "pelos seguintes crimes, em tese praticados: tráfico de influência, corrupção ativa, supressão de documento, crime contra ordem tributária e lavagem de dinheiro." O texto sugere ainda que o Ministério Público dê prosseguimento às investigações "para apurar eventuais responsabilidades, e individualizar as condutas, de dirigentes e funcionários do Banco Rural e BMG envolvidos com operações irregulares e também funcionários do Banco Central encarregados da fiscalização do BMG e Banco Rural.

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