Relatório da Rede Social de Justiça critica gestão Lula

Apesar das promessas da campanha de 2002, quando anunciou uma ´reforma agrária ampla, massiva e de qualidade´, o que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nessa área foi pífio. Essa é uma das principais conclusões do relatório anual da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos , divulgado nesta quinta-feira, em São Paulo. No capítulo sobre Direitos Humanos no Meio Rural, o relatório indica que o governo não só descumpriu as promessas como esvaziou a proposta e tentou enganar os sem-terra com números falsos sobre assentamentos.O relatório também traz números coletados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Eles mostram que, entre 2003 - primeiro ano do governo Lula - e agosto deste ano, o número de conflitos no campo saltou de 926 para 1.690, um crescimento de 82,7%. No mesmo período, o número de ordens de despejo emitidas pelo Judiciário subiu 263%; e o de prisões, 140,5%.O relatório da Rede Social é formado por um conjunto de artigos assinados por especialistas e representantes de organizações ligadas à questão agrária. O artigo que trata da política agrária no atual governo, assinado por José Juliano de Carvalho Filho, consultor da organização, relembra que nenhuma das metas apresentadas no Plano Nacional de Reforma Agrária, de 2003, foi atingida; e que o programa de campanha eleitoral de 2006 mostrou um recuo de Lula nessa área. ´Assemelha-se ao programa da candidatura Alckmin´, diz, referindo-se às propostas do candidato derrotado Geraldo Alckmin (PSDB).O secretário da CPT, Antonio Canuto, ao analisar a violência, aponta uma diminuição no número de assassinatos entre 2005 e 2006. Ele acrescenta que, no mesmo período, os movimentos sociais, cansados e desiludidos com os resultados considerados pífios da reforma de Lula, diminuíram suas ações.Os fatos registrados desde a reeleição de Lula, mostram que o MST e outras organizações estão procurando retomar a iniciativa.

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