Relatório da PF pede prisão de Garotinho, mas MP negou

Policiais pouparam Rosinha, em razão da notícia de que ela 'estaria se recuperando de operação cirúrgica'

Marcelo Auler e Talita Figueiredo, de O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2008 | 19h43

No relatório final sobre a  Operação Segurança Pública S. A., a Polícia Federal defendeu que a ex-governadora Rosinha Matheus e seu marido, o ex-governador Anthony Garotinho  fossem denunciados pelos crimes de corrupção, facilitação de contrabando e formação de quadrilha. No documento elaborado em dezembro passado, foi pedida também a prisão do ex-governador. Os policiais pouparam sua mulher em razão da notícia de que Rosinha "estaria se recuperando de operação cirúrgica sofrida recentemente". Veja também:PF vê elo entre Álvaro Lins e milíciasApós decisão, Álvaro Lins deixa carceragem da PF no RioEntenda a Operação Segurança Pública, que envolve Garotinho PF cumpre mandado de busca na casa do ex-governador PF prende ex-chefe de polícia do RJ; MP denuncia Garotinho  O entendimento do Ministério Público Federal foi diverso. Para os Procuradores Regionais não havia como responsabilizar a ex-governadora sem enfraquecer a denúncia contra seu marido que é apontado como o "governador de fato". Os procuradores entenderam ainda não terem como denunciar Garotinho por corrupção sem provas de que ele recebeu dinheiro. Por isto o denunciaram apenas por formação de quadrilha armada. Para a polícia "a busca pelo poder político, como instrumento para a obtenção do poder financeiro, também sempre esteve presente nessa quadrilha. A PF constatou, durante o período de julho a dezembro de 2006, uma forte utilização eleitoral e criminosa da máquina estatal por parte do "governador" Garotinho e do ex-chefe de Polícia e atual deputado estadual Álvaro Lins, com a total conivência da 'governadora de direito', Rosinha Garotinho". Nesse período, lembram os policiais, Garotinho e Lins não exerciam nenhum cargo público". O documento cita as investigações da Operação Hurricane (Furacão), quando encontraram listas de propinas pagas pela máfia de caça-níqueis para políticos fluminenses. Entre os beneficiados, como o Estado divulgou em 03 de junho do ano passado, estavam a ex-governadora e Lins, já deputado eleito. No relatório da atual operação os federais dizem que "em nome da arrecadação, por meio do descumprimento do dever funcional de apreender as máquinas caça-níqueis" foi que Garotinho assumiu, em abril de 2003, a segurança pública no governo de sua esposa, bem como Lins permaneceu "na chefia da Polícia Civil durante praticamente seis dos oito anos de governo do casal Garotinho, apesar da notória e alardeada ligação desse delegado com a máfia dos caça-níqueis". A polícia ressalta que a apuração foi apenas na área da segurança, mas admite existirem "outras investigações, que apuram desvios milionários, inclusive por meio de Organizações Não-Governamentais (ONG)" nos dois governos. A Polícia Federal justificou o pedido da prisão preventiva de Garotinho com a necessidade de "neutralizar o poder de mando que o ex-governador exerce sobre terceiros" para evitar "qualquer espécie de constrangimento das testemunhas e colaboradores". Já os procuradores explicaram que deixaram de pedir a prisão por ter o ex-governador, "com o término do mandato de sua esposa Rosinha Garotinho frente ao Governo do Estado, diminuído seu poder de ingerência, especialmente no âmbito da Polícia Civil". Pedido de Cassação - Depois de passar a madrugada lendo os documentos da Operação Segurança Pública, o corregedor da Assembléia Legislativa do Rio, deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), afirmou ontem dar como certo o pedido da cassação do deputado Álvaro Lins e disse ter "forte convicção" do envolvimento do ex-chefe de Polícia Civil do Rio com o crime.Luiz Paulo classificou o relatório como "estarrecedor". "Até pouco dias, tinha apenas visto trechos da denúncia em matérias de diversos jornais. Mas agora, depois de analisar os fatos de forma integral, completa, tenho outra opinião. O relatório da PF e a denúncia estão muito bem feitos e muito bem concatenados quanto às tipificações dos crimes", disse o deputado. De acordo com Luiz Paulo, muitos trechos do relatório o impressionaram. "Dizer que a Delegacia de Meio Ambiente é uma Ferrari e deve ser muito bem pilotada é absurdo, como também é estarrecedora a cobrança de R$ 25 mil para um delegado se manter em uma delegacia, e ainda o pagamento de propina por supermercados para evitar fiscalizações", relatou o deputado". Hoje Lins prestára depoimento em sessão fechada. Segundo Luiz Paulo, até terça-feira ele encaminhará seu parecer pedindo a cassação à mesa diretora, que depois o remete ao Conselho de Ética. Depois de analisado, o conselho decide ou não pelo pedido de cassação. O corregedor votou a favor da soltura de Lins na sexta-feira passada. "Na ocasião, julgamos apenas que o flagrante que contrariou a norma e decidimos soltá-lo, mas agora vamos julgar o mérito e entra agora no decoro parlamentar", disse.

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