Relatório da CPI do Cachoeira fica para próxima semana

O deputado Odair Cunha (PT-MG) adiou para esta quinta-feira (22) a leitura da síntese de seu relatório com as conclusões das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira. A votação do relatório final pelos integrantes da CPI vai ocorrer somente na semana que vem. Para evitar que seu parecer fosse totalmente derrotado, o relator concordou nesta quarta-feira em submeter a voto dos integrantes da CPI partes do relatório. "Cada um que assuma sua responsabilidade; quem quiser tirar alguma coisa vai ter que se expor e dizer o motivo", afirmou Cunha.

EUGÊNIA LOPES, Agência Estado

21 de novembro de 2012 | 15h01

Com mais de cinco mil páginas, o relatório propõe o indiciamento de 46 pessoas envolvidas com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, solto na madrugada de ontem. Entre os indiciados estão o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, o prefeito de Palmas, o petista Raul Filho, e o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO).

Pressionado pela cúpula do PT, Odair Cunha cedeu e propôs no texto que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) investigue o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e o indiciamento do jornalista Policarpo Junior, redator-chefe da Revista VEJA. Estas duas partes do relatório enfrentam resistências junto aos partidos de oposição e da base - à exceção do PT - e deverão ser votadas separadamente. A tendência é que elas saiam do relatório durante a votação.

"Não tem birra com o procurador. Há indícios de omissão dolosa na resposta que ele mandou à CPI", justificou Cunha. Ele alegou que Gurgel suspendeu "sem justificativa" as investigações da Operação Vegas, ação da Polícia Federal iniciada em 2009 que apontou os primeiros indícios de ligação do contraventor com parlamentares, entre eles o senador cassado Demóstenes Torres (sem partido-GO).

Durante os trabalhos da CPI, Gurgel informou à comissão que decidiu parar as investigações da Vegas para encontrar elementos mais fortes da atuação de Cachoeira. Segundo Gurgel, isso só ocorreu quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Monte Carlo, que prendeu Cachoeira em 29 de fevereiro. Entretanto, o relator da CPI sustenta que as duas operações têm origens distintas, não havendo motivo para a paralisação da Vegas.

Desde o início da CPI, o chefe do Ministério Público Federal tornou-se alvo dos petistas e do ex-presidente e atual senador Fernando Collor (PTB-AL). Gurgel foi o responsável por defender a condenação das principais personalidades do PT envolvidas no escândalo do mensalão, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-presidente do partido José Genoino.

Odair Cunha pediu o indiciamento do jornalista Policarpo Junior por formação de quadrilha, sob a alegação das relações "constantes e permanentes" com o chefe do esquema. As conversas entre o jornalista e o contraventor levaram a várias reportagens publicadas na revista semanal. "Não tem nenhum tipo de cerceamento à imprensa", garantiu o relator. Ele argumentou que, no relatório, deixa claro que não há envolvimento nem da empresa nem de outros diretores com o esquema de Cachoeira.

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