Alan Santos/PR
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Relatório da Abert indica aumento de mortes de jornalistas

Associação de rádio e TV contabiliza o assassinato de 3 radialistas em 2018; agressões não letais tiveram alta de 50%

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2019 | 05h00

BRASÍLIA - Relatório anual sobre violações à liberdade de expressão da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), divulgado nesta quarta-feira, 20, mostrou que o número de mortes de profissionais de imprensa voltou a crescer após dois anos de diminuição. 

Conforme a Abert, em 2018 três radialistas – Jairo Sousa, Jefferson Pureza e Marlon Carvalho – foram assassinados por causa do exercício da profissão em rádios no interior do País, após divulgarem informações com críticas e denúncias sobre autoridades e políticos da região em que trabalhavam. Em 2017, houve um assassinato; em 2016, dois. Com oito mortos, o ano de 2015 foi o mais violento na série histórica iniciada em 2012.

“Todos eles assassinados por exercerem o direito de livre opinião e livre cobertura nos seus veículos. Tivemos 86 jornalistas mortos em todo o mundo, em áreas de conflito. O número de três mortos no Brasil é muito alto”, disse o presidente da Abert, Paulo Tonet Camargo.

O levantamento da Abert indica que os principais agressores, em 2018, foram militantes partidários e manifestantes. 

O documento também ressalta que houve aumento de 50% nas agressões não letais contra jornalistas – agressões, atentados, ameaças e ofensas, inclusive por meio digital. Foram 114 casos, ante 76 no ano anterior. Ao todo, 165 profissionais e veículos de comunicações foram alvo.

O número de atentados se manteve estável de 2017 para 2018 – três casos. Porém, nas três ocasiões, cinco radialistas foram vítimas do crime. “Armas de fogo foram utilizadas pelos criminosos em todas as ocasiões, numa clara intenção de acabar com a vida dos comunicadores”, diz o documento.

Para Tonet, a profissão nunca foi tão relevante por causa da necessidade de checagem e certificação das informações. “Num mundo de fake news, o remédio para isso é mais jornalismo, mais jornalistas, mais exercício do bom jornalismo.”

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