Relatores querem voto aberto para desfecho do caso Renan

Às vesperas da votação, Marisa Serrano e Renato Casagrande querem impedir manobra dos aliados do senador

Ana Paula Scinocca, do Estadão

26 de agosto de 2007 | 18h53

Às vésperas da votação da primeira representação contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no Conselho de Ética, dois dos três relatores do processo disseram neste domingo, 26, que vão trabalhar para que o voto no colegiado seja aberto. Os aliados de Renan deflagaram na semana passada manobras para tentar impor o voto fechado nas votações do Conselho e do plenário.   Veja também:  Suspeita de favorecer Renan, secretária corrige depoimento Cronologia do caso Renan       Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação    Veja especial sobre o caso Renan       A previsão é que o Conselho de Ética julgue na quinta-feira a primeira representação contra Renan. O presidente do Senado é acusado de ter suas despesas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior.   Os relatores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) afirmaram ontem que não concordam com os argumentos apresentados pelo presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), que tem defendido voto fechado sob alegação de que o colegiado tem de seguir o plenário. "Se no plenário, que é soberano, o voto é fechado, não há razão para ser diferente no conselho", defendeu Quintanilha.   "Os relatores são senadores. Se nós temos de revelar o nosso voto por quê os outros integrantes do conselho não tem?", questionou a senadora Marisa Serrano. "O voto tem de ser aberto no conselho. Vou trabalhar para que isso aconteça, mas estou buscando base jurídica para batalhar para que a apreciação dos relatórios não seja fechada", avisou ontem Casagrande. Ele e Marisa Serrano devem apresentar relatório defendendo a cassação de Renan. Mas, até este domingo, os dois ainda não sabiam se fariam um único relatório ou peças separadas, já que têm divergência de opinião.   Enquanto Marisa vê quebra de decoro e questão política, Casagrande avalia que Renan cometeu crime fiscal. "Só na terça-feira  é que vamos saber se faremos um único relatório ou se cada um terá o seu", disse. "Estou trabalhando no relatório e amanhã  pretendo ter uma conversa com o Casagrande para que na terça a gente feche em um único relatório ou cada um com o seu", completou Marisa.   Neste domingo, o Estado mostrou que uma manobra regimental está sendo articulada por Renan com seus principais aliados pode facilitar a salvação do mandato do peemedebista já no Conselho de Ética. A avaliação é que o voto secreto reduziria a exposição dos senadores diante da opinião pública, o que facilitaria a absolvição. Nesse modelo, Renan conta ter apoio de pelo menos nove dos 16 integrantes do colegiado. O presidente do conselho só vota em caso de desempate.   Além de Marisa e Casagrande, a oposição também está defendendo voto aberto no conselho. O líder dos Democratas no Senado, José Agripino Maia (RN), avisou que vai defender amanhã que os representantes de seu partido no colegiado - são quatro: Demóstenes Torres (GO), Aldemir Santana (DF), Heráclito Fortes (PI) e Romeu Tuma (SP) - votem aberto. Os quatro Democratas devem votar pela cassação de Renan. "O DEM vai levantar questão de ordem para que o voto seja aberto. Não pode um senador ter uma posição `confortável' de votar fechado enquanto os relatores expõem seu voto. Vou pedir que os senadores votem aberto como relatores", disse Agripino.   Neste domingo, a senadora também avisou que vai solicitar à Mesa Diretora o áudio do depoimento prestado por Renan aos relatores na quinta-feira. O presidente do Senado falou por quase duas horas mas não convenceu nem Marisa nem Casagrande. Apenas o relator e aliado Almeida Lima (PMDB-SE) disse ter ficado satisfeito com o depoimento de Renan. Ele já avisou que vai defender a absolvição do presidente do Senado.   Um dia depois do depoimento de Renan a secretária-geral da Mesa, Claudia Lyra, foi flagrada fazendo revisão nas notas taquigráficas, o que levantou suspeitas de Casagrande e Marisa. A senadora tucana tinha dito na própria sexta que poderia pedir o áudio caso desconfiasse da retirada ou inclusão de declarações de Renan. No fim de semana confirmou que vai pedir o áudio, mas não pelo "episódio com a Claudia mas porque é praxe ouvir".

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