Relatores pedem cassação e aliados de Renan vão ao STF

Dois dos três relatores do caso RenanCalheiros (PMDB-AL) no Conselho de Ética acusaram o presidentedo Congresso de mentir e desonrar o Senado Federal erecomendaram a cassação do mandato do parlamentar por quebra dedecoro. Aliados do peemedebista anunciaram que vão recorrer aoSupremo Tribunal Federal para que a Corte defina se a votaçãodesse relatório no Conselho de Ética deve ser aberta ousecreta. O parecer, considerado oficial porque reúne a maioria dostrês relatores escolhidos para analisar a representação doPSOL, só deve ser apreciado na semana que vem, já que senadoresligados a Renan pediram vista (tempo para analisar o mérito dovoto) para ter tempo de recorrer ao STF. "Nós vamos provocar o Supremo para que ele decida sobre ovoto aberto", disse à Reuters o senador Gilvam Borges(PMDB-AP). Aliados de Renan desejam o voto secreto para decidir seufuturo. Acreditam que o presidente da Casa teria mais chance dese salvar das acusações. A oposição e setores da base dogoverno discordam e defendem o voto aberto. Numa sessão tumultuada, parlamentares adversários trocaramfarpas e insultos. O senador Almeida Lima (PMDB-SE), terceirorelator do caso, é favorável à absolvição de Renan Calheiros.Acusado de "vendido" pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE),ele apresentou um parecer alternativo, pedindo o arquivamentoda representação. "MENTIRA" No relatório final, os senadores Marisa Serrano (PSDB-MS) eRenato Casagrande (PSB-ES) consideraram falta de credibilidadena relação de documentos declarados por Renan para custear suasdespesas; suspeitas sobre a autenticidade de alguns documentosapresentados ao Conselho de Ética; e patrimônio incompatívelcom seu padrão de vida, sobretudo no ano de 2005. "Aspecto significativo do resultado apresentado pelosperitos (da Polícia Federal) quanto à evolução patrimonial dorepresentado é o fato de que no ano de 2005 houve falta derecursos para fazer frente às despesas do representado em maisde 24,5 mil reais. Ou seja, a perícia demonstrou que orepresentado não poderia ter pago os valores relativos àsdespesas privadas e mais os valores que foram pagos à senhoraMônica Veloso, com os recursos que disse ao Conselho de Éticaque possuía", diz o relatório. Renan é acusado de falta de decoro parlamentar pelasuspeita de ter pago pensão à jornalista Mônica Veloso, comquem tem uma filha, por meio de um lobista de uma empreiteira.O caso veio a público em maio. De acordo com texto, Renan "mentiu" porque disse aos parester renda para arcar com suas despesas. "Diversos cheques listados na planilha encaminhada a esteconselho como ''saques em dinheiro'' informando que eramretirados para pagamento à senhora Mônica, na verdade seprestaram a pagamentos de imobilizações ou despesas com suasfazendas, representando, em 2004, valores superiores a 550 milreais", acrescenta o parecer de 70 páginas. Almeida Lima rebateu o conteúdo do relatório dos colegas. "Nem a imprensa, nem este conselho, nem os relatoresconseguiram produzir qualquer prova que atestasse um condutairregular (de Renan)", defendeu.

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