Relatores levantam 30 dúvidas sobre documentos de Renan

Perícia da PF analisa provas de que senador teve rendimento de R$ 1,9 milhão

Ana Paula Scinocca e Rosa Costa, do Estadão

12 de julho de 2007 | 21h42

Nas 30 indagações encaminhadas aos peritos da Polícia Federal, os relatores do Conselho de Ética mostram que há mais dúvidas do que certeza nos documentos de defesa entregues pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Para justificar o rendimento de R$ 1,9 milhão - com o qual teria pago despesas da jornalista Mônica Veloso, mãe da sua filha de três anos - Renan disse ao conselho que os recursos são decorrentes da venda de gado. Entre as perguntas feitas pelos relatores estão as que tratam da autenticidade de recibos e notas fiscais e outras sobre a veracidade das operações que justificariam depósitos em valores elevados em sua conta do Banco do Brasil. Um só comprador, por exemplo, fez três depósitos em favor do senador, de R$ 95,2 mil, R$ 44 mil e R4 30,8 mil, sendo dois deles no mesmo dia, 21 de abril de 2004 e o outro cinco dias depois, em 26 de abril.Na petição que encaminhou ao conselho na última terça-feira, Renan alega que não cabe ao órgão examinar se ocorreram ou não as transações indicadas por ele. Os relatores ignoraram o pedido. Como não podem utilizar dados sigilosos, eles esperam chegar à verdade comparando dados das notas fiscais, recibos, cheques, Guias de Transporte de Animais (TDAs) e a compra de vacina.Querem ainda comprovar se é mesmo dele, Renan, a parte do gado que na primeira perícia foi identificado como sendo de sua mãe e de seu irmão. Outra pergunta é se os valores das vendas efetuadas pelo senador refletem a média praticada no mercado de compra e venda de gado no Estado e região em que foram vendidos, ou se poderia caracterizar-se algum tipo de superfaturamento.O presidente do Senado foi solicitado nesta quinta-feira a fornecer novos documentos, mas não deu resposta. Tampouco é provável que o faça, a julgar pela maneira como tem tentado brecar a investigação. Pesa contra ele, além da "inconsistência" da documentação, como alegaram os peritos, o fato de ter anexado poucas cópias de cheques das operações. O extratos dos depósitos, sem a identificação dos autores, são acompanhados de recibos assinados por ele, redigidos de forma padrão e dando a impressão de que foram feitos em série.

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