Relatores divergem e votação do caso Renan pode ser secreta

O critério tende a beneficiar Renan Calheiros, já que seus pares não serão constrangidos a expor seu voto

Reuters e Agência Estado,

28 de agosto de 2007 | 18h35

Sem acordo, os relatores do caso Renan Calheiros (PMDB-AL) no Conselho de Ética decidiram apresentar pareceres diferentes sobre a acusação que pesa contra o presidente do Senado. Os senadores Marisa Serrano (PSDB-MT) e Renato Casagrande (PSB-ES) vão apresentar um relatório conjunto, enquanto o senador Almeida Lima (PMDB-SE), dissidente, prometeu um voto favorável ao colega de partido. "Não foi produtiva a reunião porque cada um manteve seu posicionamento sobre a investigação", disse Lima após encontro com os outros dois relatores. Veja também:Cronologia do caso Renan     Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação  Veja especial sobre o caso Renan  Após três horas de reunião, Casagrande e Marisa alegaram que as "dúvidas" deixadas pela defesa de Renan inviabilizam qualquer decisão inocentando-o. "Temos dúvidas sobre a sua evolução patrimonial e quanto ao empréstimo de R$ 178 mil que ele disse ter feito no último dia da perícia", alegou Casagrande, referindo-se às retiradas de dinheiro feitas por Renan da locadora Costa Dourada Veículo. Os dois relatores deixaram clara a desconfiança com boa parte das alegações apresentadas por Renan para justificar o rendimento de R$ 1,9 milhão em quatro anos. "Além de ele não ter declarado o empréstimo, temos dúvidas se ele ocorreu realmente", afirmou Casagrande. "A cada fato demolido, outros eram acrescentados", afirmou a relatora. Já Almeida Lima insiste na tese de que o fato de Renan ter apresentado documentos reais, comprovariam a sua absolvição. Votação Agora, o Conselho de Ética votará os dois pareceres contra Renan.  A votação está marcada para quinta-feira e deverá ser aberta, a exemplo do que ocorreu no processo contra o então senador Ney Suassuna (PMDB-PB) no final do ano passado.  A decisão pelo voto aberto se deve à iniciativa do presidente do órgão, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), de transferir a decisão sobre a forma de votação à maioria dos membros do conselho. Com isso, derruba o parecer da Consultoria Legislativa, que opina pelo voto secreto. A consultoria também diz que os pareceres não deverão tratar da punição a Renan, mas apenas relatar fatos do processo. Senadores próximos a Renan Calheiros afirmam que ele vem trabalhando para manter o voto "escondido" e com isso beneficiar os colegas que quiserem favorecê-lo.

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