Relator volta a defender dono do castelo e ataca imprensa

Sérgio Moraes discurso do plenário da Câmara e disse que não será avalista de 'mentiras' sobre dono de castelo

Andréia Sadi, do estadao.com.br

07 de maio de 2009 | 13h43

O deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), relator do processo de Edmar Moreira (sem partido-MG) discursou no plenário da Câmara nesta manhã e reiterou que está "se lixando para a opinião pública", como disse ontem após sinalizar o arquivamento do processo contra o deputado que ficou conhecido por possuir um castelo deR$ 25 milhões em Minas. Ele disse que não será "avalista" das "mentiras" da imprensa sobre Moreira.

 

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"A imprensa tenta valer a sua opinião, ela usa seu espaço de forma tendenciosa para desmanchar com a imagem desse Congresso. A imprensa vendeu para o país que o deputado havia comprado castelo com dinheiro desviado aqui da Casa. E, para nossa surpresa, esse castelo existe muito tempo antes dele fazer parte aqui da Casa. Eu não serei avalista, não, das mentiras da imprensa. A imprensa não conduz minha honra e conduta. Se eu entender que o deputado é inocente, eu vou dizer que é inocente. Se ele for culpado, não será a imprensa que vai ditar minha opinião", disse.

 

Ontem, o relator já havia mostrado despreocupação com a má repercussão de uma absolvição prévia, sem sequer ter começado a investigação do caso. "Estou me lixando para a opinião pública", afirmou Moraes aos jornalistas. "Até porque parte da opinião pública não acredita no que vocês escrevem. Vocês batem, mas a gente se reelege."

 

O processo contra Moreira quer investigar uso irregular de verba indenizatória a qual os deputados têm direito. Moreira contratou, entre 2007 e 2008, os serviços de segurança das empresas Itatiaia Ltda. e Ronda Ltda., de sua propriedade, pelos quais pagou R$ 230,6 mil com recursos da verba indenizatória. Segundo a comissão de sindicância, há indícios de que o serviço não foi prestado e o deputado se apropriou indevidamente dos recursos. "A acusação imaginou que o serviço não foi prestado. Eu posso imaginar que foi prestado", contrapôs Moraes. Para ele, o dono do castelo não infringiu nenhuma regra. "Se não havia norma que impedisse o deputado de contratar sua própria empresa, ele não cometeu irregularidade alguma."

Para o relator, "é muito fácil resolver essa questão (o processo contra Moreira)". Disse que até poderá chamar funcionários das empresas prestadoras de serviços, mas não se entusiasmou com a ideia. "Eles vão dizer que prestaram os serviços e vão me mostrar os recibos. Eu não posso ir a Belo Horizonte e sair perguntando se o deputado andava com seguranças", observou.

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