Relator vê motivação eleitoral

Para Mabel, ofensiva está ligada ao projeto de Serra para disputa de 2010

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2008 | 00h00

Autor do relatório sobre a reforma tributária, o deputado Sandro Mabel (PR-GO) não disfarçou a insatisfação com a avaliação feita pelo secretário da Fazenda paulista, Mauro Ricardo Costa. Para ele, as declarações do tucano têm uma única motivação: o projeto do governador José Serra (PSDB) de disputar em 2010 a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva."O único motivo pelo qual esse secretário fez essas colocações é porque o chefe dele só pensa em ser presidente da República", reagiu Mabel. "Eu achava, e ainda acho, que o governador Serra tem uma visão nacional. Mas, quando vejo o secretário da Fazenda dizendo isso, começo a ter dúvidas."O governo paulista, segundo Mabel, demonstrou que não se constrange em sobrepor seus interesses políticos aos interesses da população. "É um absurdo. Só pensam em eleição e não na parcela da população que ganha dois, três salários mínimos. Acho isso tudo uma mesquinharia muito grande." Ao rebater especificamente o fato de o secretário tucano contestar a constitucionalidade do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), Mabel afirmou que se trata de uma proposta do governo federal, submetida a uma rigorosa análise por parte do Ministério da Fazenda. Dizer que o governo Lula não percebeu uma inconstitucionalidade, segundo ele, seria o mesmo que "chamar o ministro Guido Mantega de inconseqüente e irresponsável". E o governo, prosseguiu o parlamentar, não tem planos de se lançar em "nenhum tipo de aventura". Sobre o perdão a concessões fiscais irregulares feitas pelos Estados até 5 de julho, ele destacou que se trata de criar um ambiente seguro juridicamente para viabilizar a aprovação da reforma. E este, segundo ele, é um ponto que atende a demandas de diversos Estados, entre eles São Paulo. "Eu participei de seis reuniões com o Mauro Ricardo", argumentou Mabel. O deputado desafiou o secretário de Serra a "provar que a reforma não baixa a carga tributária e traz prejuízo a Estados e municípios". "Se ele conseguir comprovar isso, tecnicamente, eu voto contra meu próprio relatório", disse. Mauro Ricardo, segundo ele, quer criar um clima de "incerteza" no País, para inviabilizar a aprovação do projeto. "Assim, quem sabe no dia em que for ministro, ele pode se vangloriar em fazer a reforma", ironizou. No melhor dos cenários, disse Mabel, o secretário leu o relatório, mas "não entendeu" do que se trata.

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