Relator tende a arquivar denúncia sobre Schincariol

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), rebateu ontem a denúncia de que teria favorecido a Schincariol, na defesa escrita que encaminhou ao Conselho de Ética. O relator da representação - a segunda feita pelo PSOL -, senador João Pedro (PT-AM), deu indícios claros de que vai mandar arquivá-la. Ele diz que "há uma manifestação política de que esta matéria (denúncia) não tem sustentação". Ao contrário do que fez na primeira representação, quando se antecipou para se defender por escrito, o advogado do presidente do Senado, Eduardo Ferrão, deixou para rebater as acusações sobre as supostas ligações de Renan com a empresa no fim do prazo estipulado pelo regimento.Segundo reportagem da revista Veja, Renan teria atuado politicamente em favor da cervejaria para reduzir multas impostas pelo INSS e pela Receita Federal, após ela ter pago R$ 27 milhões pela fábrica de refrigerantes de seu irmão, deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), que estava em situação deficitária. João Pedro disse ter sido escolhido para o cargo pela líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC). Ele ocupa a vaga no Senado há menos de seis meses, desde que o titular Alfredo Nascimento (PR-AM) foi indicado para o Ministério dos Transportes. João Pedro disse esperar que seu parecer seja examinado logo que o Conselho de Ética se desocupar da denúncia de que Renan teria contas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. O parecer pela cassação e dois votos em separado serão apreciados hoje pelo colegiado. O senador indica que deve arquivar a representação que envolve a Schincariol quando revela que sua decisão não se encaixa nas expectativas da opinião pública. "A opinião pública trabalha a partir da mídia. Mas existe um rito técnico, de que nós precisamos assumir nossa responsabilidade", alega. "Quem é membro do Conselho de Ética acaba virando um juiz e eu com certeza vou tomar uma posição justa. Do ponto de vista do Senado, da coisa pública, não podemos tomar uma decisão de forma açodada", afirmou. O senador é um dos cinco membros do conselho que se manifestaram pela adoção do voto secreto, na semana passada.

Ana Paula Scinocca e Rosa Costa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2005 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.