Relator sinaliza que votará pela condenação de ex-dirigentes do Rural

Barbosa retomará seu voto na próxima segunda e indicou que condenará réus por gestão fraudulenta

Ricardo Brito, da Agência Estado

30 de agosto de 2012 | 19h29

O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, sinalizou nesta quinta-feira, 30, que votará pela condenação dos ex-dirigentes do Banco Rural pelo crime de gestão fraudulenta. Barbosa, que encerrou a participação no início desta noite e retomará seu voto na segunda-feira, indicou que a antiga cúpula do banco atuou para não cobrar os empréstimos do PT e das empresas de Marcos Valério. O relator ainda deve respaldar a versão da Procuradoria Geral da República de que as operações foram fictícias.

Barbosa disse que os empréstimos milionários desrespeitaram normas do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional. Segundo ele, valendo-se de análises feitas por vários órgãos de fiscalização, as operações não foram cobradas e os juros e encargos, no momento das renovações, foram ignorados. O ministro disse que Kátia Rabello, uma das ex-dirigentes da instituição, admitiu em depoimento à Justiça que os empréstimos para as empresas de Valério não quitaram as operações porque ficaram insolventes após a eclosão do escândalo, em 2005.

O relator afirmou ainda que o empréstimo de R$ 3 milhões concedido pelo banco ao PT passou por 10 renovações entre agosto de 2003 e junho de 2005. Todas elas, ressaltou, não foram cobradas até o surgimento da crise política de sete anos atrás. Numa indicação que deve também votar futuramente pela condenação do ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, Barbosa disse os dois, juntamente com Valério, assinaram os contratos ou participaram da renovação das operações.

O ministro disse ainda que os petistas e o grupo de Valério não tinham lastro financeiro para bancar as operações. Ele ressaltou que o contrato de publicidade entre a DNA Propaganda, do publicitário, e o Banco do Brasil foi indevidamente usado para servir como aval em uma das operações. "Outro dado que reforça o caráter simulado dos empréstimos em enfoque decorre das garantias: essas garantias eram invalidas ou insuficientes em face dos elevadíssimos valores que seriam emprestados", destacou.

A Procuradoria Geral da República acusa os ex-dirigentes José Roberto Salgado, Ayanna Tenório, Vinícius Samarane e Kátia Rabelo pelo crime de gestão fraudulenta de instituição financeira.

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