Relator quer doação de estatal para campanha eleitoral

Setores do PT trabalham para que empresas estatais possam financiar campanhas eleitorais. A ideia é criar um fundo constituído com recursos governamentais e por doações de empresas privadas e de pessoas físicas para bancar campanhas para presidente, governadores, prefeitos, deputados e vereadores.

AE, Agência Estado

12 de setembro de 2011 | 09h45

Prevista no relatório do deputado Henrique Fontana (PT-RS), relator da reforma política na Câmara, a criação do Fundo de Financiamento de Campanhas Eleitorais (FFCE) é tão polêmica que desperta reações nos partidos aliados do governo Dilma Rousseff e até no PT. "Não é por vias transversas, como as estatais, que vamos ter o financiamento público", diz o senador Wellington Dias (PT-PI). "Não dá para pôr empresa estatal no fundo. Não acredito que o financiamento público seja aprovado no Congresso", opina o senador Walter Pinheiro (PT-BA).

Fontana diz que as empresas privadas terão, ao fazer doações para o fundo, "a oportunidade de provar que estão dispostas a contribuir para a democracia, que não há vinculação entre contribuição e retorno em favores parlamentares." As estatais, acredita, também poderiam doar porque o dinheiro chegaria ao fundo sem endereço partidário. Além disso, a distribuição seria feita pela Justiça Eleitoral e com critérios previamente definidos.

Líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ) considera "pouco saudável" a permissão para estatais doarem dinheiro para campanhas. "As estatais são empresas que já têm compromissos com programas sociais de diferentes governos." "A proposta tem pouca eficácia. Que empresário vai querer doar sem saber para quem vai o dinheiro?", questiona o deputado Ricardo Berzoini (SP), ex-presidente do PT. "Empresas que hoje são fortes doadoras vão ficar menos generosas quando o dinheiro for para um fundo público", observa Alencar.

O PMDB também tem restrições. "Se tivesse uma forma de enxugar os partidos, eu seria favorável. Mas com a quantidade de partidos que têm hoje, não dá", afirma o presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO). "Estatal não foi feita para financiar campanha política de ninguém", diz o deputado Osmar Serraglio (PR). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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