Relator quer convocar ministros de FHC

Mas primeiros depoimentos devem ser de Hage e do presidente do TCU

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

06 de março de 2008 | 00h00

Roteiro apresentado pelo deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), relator da CPI sobre uso de cartões corporativos do governo, propõe convocar ministros do Planejamento desde a gestão Fernando Henrique. Um dos que ele quer chamar é Paulo Paiva, ministro em 1998 e 1999. O decreto que cria os cartões é de 1998, mas eles só foram ampliados para todo tipo de compra em 2001.O roteiro precisa ser aprovado pelo plenário da CPI, provavelmente na semana que vem. Mas antes disso Luiz Sérgio e a presidente da comissão, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), já acertaram os depoimentos, na próxima semana, do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Walton Alencar Rodrigues, e do controlador-geral da União (CGU), Jorge Hage. "Vamos ouvir primeiro o TCU e a CGU porque são os órgãos que já estão fazendo investigação", explicou Marisa.No roteiro, Luiz Sérgio propõe partir "dos fatos determinados, constantes do requerimento inicial, retroagindo até a data de implantação dos cartões, em 2001" e investigar "todos os órgãos do governo federal". Mas não cita diretamente a Presidência. Ele quer identificar todos os titulares dos cartões, "requisito essencial para individualização de eventuais responsabilidades". O texto alude à quebra de sigilo de suspeitos de mau uso dos cartões. "É imprescindível que saibamos que tipo de despesa havia, de que forma se deu a transação, em quais estabelecimentos, qual o montante e as respectivas datas em que as transações se deram."Marisa assegurou que tudo será investigado: as contas tipo B e os saques feitos em dinheiro. E explicou que a CPI definirá o que fazer com informações que o governo insiste em manter sob sigilo, alegando questões de segurança. "Vamos ter de discutir no plenário da CPI o que é sigilo, o que é segurança nacional", observou. "Agora, os documentos que forem sigilosos terão de ser tratados assim." Ela disse que os documentos sigilosos ficarão trancados no cofre da CPI e não poderão ter seu conteúdo vazado, como determina a legislação.

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