Relator petista sinaliza arquivamento do 2º caso Renan

João Pedro vê 'poucos indícios' e evita vincular este caso ao primeiro, que absolveu o presidente do Senado

14 de setembro de 2007 | 13h26

O senador João Pedro (PT-AM), relator da segunda representação contra Renan Calheiros (PMDB-AL), sinalizou o arquivamento do caso que acusa  Renan de ter  favorecido a cervejaria Schincariol depois que a empresa comprou uma fábrica superfaturada do irmão dele, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), segundo a rádio CBN.   Tudo sobre o caso Renan   O petista disse que que "não ouvirá ninguém" antes de apresentar seu parecer - marcado para a próxima semana. "Não vou ouvir ninguém. Vou trabalhar dentro dessa lógica. Se o Conselho achar que deve ouvir ou pedir documentos, que decida", afirmou.   João Pedro disse que o relatório fica pronto no início da próxima semana e que apenas matéria da revista Veja, que fez a denúncia, a representação do PSOL e a defesa de Renan Calheiros são elementos suficientes para fazer seu relatório.     O senador mostrou-se irritado quando perguntado se não deveria ouvir, pelo menos, os diretores da cervejaria e alegou que o Conselho de Ética não tem autonomia. "O Conselho de Ética não é uma CPI, não tem autonomia, não tem competência (para pedir documentos, diligências e depoimentos)", afirmou.   Ele evitou vincular essa segunda representação à primeira, da qual Renan Calheiros foi absolvido no plenário do Senado, na quarta-feira.   "Embora seja o mesmo senador, tenho de dar o caráter técnico de não vincular uma representação a outra", afirmou e acrescentou que não irá revelar o voto que deu em plenário na quarta "por respeito aos outros senadores". Ele acrescentou que seu relatório será conclusivo.   Lula 'irritado'   O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não escondeu a irritação, em Oslo, na Noruega, com a pergunta dirigida a ele, nesta sexta-feira, 14, sobre a absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros, e se recusou a respondê-la. Ao lado do primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, Lula escapou da pergunta, feita pela repórter do Estadão, durante conferência de imprensa.   Questionado se o governo havia orientado a bancada do PT a absolver Renan e se o Planalto pressionava o aliado a se licenciar do cargo - diante da ameaça da oposição de não votar projetos de interesse do Executivo -, o presidente abriu os braços e balançou a cabeça, em sinal de contrariedade.   "Eu só lamento que na minha despedida eu tenha de falar do Brasil. Seria tão mais fácil um jornalista do Estadão lá no Brasil ligar para o presidente do PT e receber todas as informações", reclamou. "Quando eu chegar ao Brasil, na terça-feira, você me faça quantas perguntas quiser sobre o Renan, sobre o PT, que eu falarei com o maior carinho. Mas eu estou terminando uma viagem de uma semana, estou tão cansado quanto vocês e não é justo que essa viagem não tenha despertado nenhuma curiosidade ao Estadão", encerrou. Não houve direito a réplica.   (Com Agência Brasil)

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