Andre Dusek/AE - 12/01/2011
Andre Dusek/AE - 12/01/2011

Relator pede processo contra Fernando Pimentel no Conselho de Ética

Ministro se envolveu em denúncias por faturar mais de R$ 2 milhões com serviços de consultoria

Rafael Moraes Moura, de O Estado de S. Paulo,

12 de março de 2012 | 19h50

BRASÍLIA - O conselheiro Fábio Coutinho, relator do caso do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, defendeu nesta segunda-feira, 12, que a Comissão de Ética da Presidência da República abra um processo e peça esclarecimentos ao petista, envolvido em denúncias por conta da prestação de serviços de consultoria. Um pedido de vista, no entanto, deu mais duas semanas de sobrevida ao ministro - a próxima reunião da comissão está marcada para o dia 26 deste mês.

"(O relator Fábio Coutinho) entendeu que se reclamava o prosseguimento do caso, abrindo-se o procedimento", disse o presidente da comissão, Sepúlveda Pertence. Participaram da reunião seis conselheiros, entre eles Américo Lourenço Lacombe, nomeado pela presidente Dilma Rousseff na semana passada.

De acordo com Sepúlveda, os demais membros da comissão não chegaram a se manifestar sobre o caso, já que, após o pedido de vista foi feito logo após a leitura do relatório.

A oposição vê semelhanças entre a situação de Pimentel e a do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci, que caiu do governo devido à denúncia de ter o patrimônio ampliado em 20 vezes após a prestação de serviços de consultoria. Pimentel é alvo de denúncias de que sua empresa, a P-21 Consultoria e Projetos, teria faturado mais de R$ 2 milhões com consultorias entre 2009 e 2010.

O caso voltou a assombrar o Palácio do Planalto no final do ano passado, quando o governo já dava a crise como superada. Pimentel é um dos interlocutores mais próximos de Dilma, que tem enfrentado nos últimos dias o momento de maior crise política do seu governo, ao ser confrontada com as insatisfações e retaliações da base aliada.

Pimentel esteve com a presidente nesta segunda pela manhã. Ele deve acompanhar o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, em viagem na terça-feira, 13, para o México, onde vai tratar do acordo automotivo firmado com aquele país.

Banco. Durante a reunião desta segunda-feira, a Comissão de Ética também decidiu abrir procedimento para apurar a conduta do ex-vice-presidente de Atacado, Negócios Internacionais e Private Bank do Banco do Brasil, Allan Toledo.

Toledo foi demitido em dezembro passado pelo Conselho de Administração do banco - uma das razões seria a sua postura contrária à do presidente do Banco do Brasil e da maioria dos diretores, o que o teria levado a um isolamento.

Em fevereiro, o Ministério da Fazenda determinou à direção do Banco do Brasil a abertura de uma sindicância para apurar possível vazamento de sigilo bancário na instituição em decorrência da guerra pelo comando da estatal e do fundo de pensão de seus funcionários, a Previ. A sindicância foi uma resposta do governo à divulgação de uma suposta movimentação atípica de R$ 953 mil por parte de Toledo - ele nega irregularidades.

O caso ficará com o conselheiro Lacombe, que já encaminhou ofício para que Toledo se manifeste sobre as matérias publicadas na imprensa.

A Comissão de Ética também aplicou nesta segunda-feira "censura ética" ao ex-ministro Wagner Rossi por conta do uso irregular de aeronaves. Essa punição serve como uma "mancha" no currículo de servidores públicos e é aplicada a ex-membros do governo.

Tudo o que sabemos sobre:
Fernando PimentelConselho de Ética

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.