Relator pede cassação de Suassuna; acusado reage

O senador Jefferson Péres (PDT-AM), relator do processo disciplinar aberto no Conselho de Ética do Senado contra o senador Ney Suassuna (PMDB-PB), acusado de quebra de decoro parlamentar e de envolvimento com a máfia das ambulâncias superfaturadas, apresentou nesta quarta-feira seu parecer sobre o caso e pediu a cassação do mandato do parlamentar.O parecer de Jefferson Péres pedindo a cassação de Suassuna não será votado nesta quarta-feira, porque o senador Welington Salgado (PMDB-MG) pediu vista do processos e anunciou que vai apresentar outro relatório.DataO presidente do Conselho de Ética do Senado, senador João Alberto (PMDB-MA), marcou para 8 de novembro a votação do parecer em que o senador Jefferson Péres (PDT) pede a cassação do mandato do senador Ney Suassuna (PMDB-PB).João Alberto marcou para a mesma data a apreciação do voto em separado que será apresentado pelo senador Welington Salgado (PMDB-MG) sobre o caso.Quebra de decoroPéres não mencionou provas de envolvimento de Suassuna, mas apresentou fatos que, segundo o relator, configuram violação do princípio da "impessoalidade na administração pública" pelo senador da Paraíba e têm potencial para levar à cassação do senador por quebra do decoro parlamentar.Uma das indicações de que o acusado teria violado esse princípio, segundo Péres, foi a inscrição da expressão "Apoio - Ney Suassuna" em ambulâncias de prefeituras do interior paraibano compradas com recursos previstos em emendas ao Orçamento apresentadas pelo senador do PMDB no Congresso.O relator fez, porém, a ressalva de que, por falta de outras testemunhas, deixará de considerar como prova o trecho do depoimento do presidente da CPI Mista dos Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), segundo o qual Suassuna teria dito que "95% dos parlamentares tiram uma ´beirada´ das emendas ao Orçamento."RevideSuassuna partiu para ataques pessoais ao senador Jefferson Péres. Houve bate-boca entre os dois, no Conselho, quando Suassuna afirmou que Péres emprega a própria mulher em seu gabinete de senador.Antes do bate-boca, ao apresentar sua defesa ao Conselho, Suassuna voltou a afirmar que, a exemplo de Cristo, também foi "traído", mas demitiu todos os seus assessores envolvidos no esquema da máfia. Ele acusou o relator de ter contribuído para sua derrota na eleição de domingo, quando tentou se reeleger senador. "Com isso, Vossa Excelência conseguiu trazer para cá um cidadão que já roubou R$ 100 milhões da Prefeitura", afirmou, referindo-se a Cícero Lucena (PSDB), eleito senador pela Paraíba. Suassuna disse também: "Vossa Excelência me decepcionou, porque procura fazer a punição do sistema (político). Eu não sou o sistema. E com isso, prefere representar o papel de palmatória do mundo."Suassuna alegou que, por ser um homem rico, não teria motivo para receber, em dois anos, R$ 200.000,00 de propina da máfia das ambulâncias para dividir com outras pessoas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.