Relator pede cassação de João Paulo Cunha

O deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS), relator do processo de cassação do ex-presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP), pedirá a perda de mandato do parlamentar. Schirmer está lendo o seu voto com esta conclusão na sessão do Conselho de Ética. Schirmer considerou que os R$ 50 mil retirados das contas da SMPB, do empresário Marcos Valério, no Banco Rural em Brasília, pela mulher do petista, Márcia Milanesi Cunha, são "de origem e destino espúrios".Segundo o relator, João Paulo, ao receber o dinheiro, não tinha em vista nenhum interesse público. "Percebeu sim em proveito próprio vantagem indevida no exercício da atividade parlamentar", disse.O relator argumentou também que João Paulo foi intencionalmente omisso, ao informar à CPI dos Correios que sua mulher foi ao banco para resolver uma pendência de fatura de um serviço de TV por assinatura, deixando de relatar o saque feito no mesmo dia. "O representado teve em vista seu interesse pessoal de não revelar informação sobre fato sabidamente suspeito, no contexto da apuração", argumentou Schirmer.O relator disse também que João Paulo tinha interesse político pessoal ao mandar realizar pesquisas em municípios que o petista tinha interesse eleitoral, com os R$ 50 mil sacados, de acordo com declaração do próprio João Paulo de que o dinheiro teria ido para o pagamento desse serviço.No parecer que está sendo lido no Conselho de Ética, Schirmer ressalta também o contrato feito por João Paulo, quando presidia a Câmara, com a empresa SMPB, menos de 10 dias depois do saque na agência do Banco Rural. "A execução está eivada de irregularidades, violações legais e desvio de finalidade, com considerável prejuízo causado aos cofres públicos", disse Schirmer, acrescentando que isso se trata de abuso das prerrogativas do parlamentar.Schirmer cita ainda que 99% dos serviços que a empresa deveria executar na Câmara, foram subcontratados. "A SMPB, que venceu a licitação, recebeu recursos do Tesouro Nacional mas não prestou praticamente nenhum serviço", disse Schirmer. O deputado anexou cópias de documentos no relatório, incluindo o recibo do saque de R$ 50 mil.Schirmer afirmou que se convenceu da culpa de João Paulo pelos depoimentos do próprio acusado e de documentos apresentados pela defesa; "A cada tentativa de explicar todos os detalhes e nuances de seu relacionamento com o senhor Marcos Valério, o senhor João Paulo se enredou em uma teia promíscua, cada vez mais mal explicada. Tentando encobrir o saque com faturas de TV por assinatura e depois tendo de confessar o saque e o seu controverso destino, o representado apenas foi piorando cada vez mais a sua situação", afirmou o relator, que prossegue a leitura do voto. Depois disso os conselheiros vão se manifestar sobre o processo.Matéria alterada às 13h56

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