Relator pede arquivamento de processo contra José Aleksandro

O relator no Conselho de Ética da Câmara, o deputado José Roberto Batochio (PDT-SP) propôs hoje o arquivamento do processo de cassação do mandato do José Aleksandro da Silva (PSL-AC). Batochio alegou que as denúncias não estão fundamentas por provas. Sua decisão se refere às seguintes acusações de participação na fuga da prisão de seu irmão Alexandre Alves da Silva, o Nin, condenado por tráfico de drogas; constrangimento de testemunha em inquérito policial; apologia ao crime organizado no programa de televisão que apresenta no Acre e ameaças ao governador do Estado, Jorge Viana. Aleksandro assumiu o cargo na Câmara em setembro de 1999, após a cassação do mandato de Hildebrando Paschoal (PFL-AC), acusado de mentir à CPI do Narcotráfico. O ex-deputado está preso hoje no Acre, por envolvimento com o narcotráfico.Um pedido de vistas adiou a votação do parecer do relator para a próxima quarta-feira. Os deputados Moroni Torgan (PFL-CE) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) apresentarão, na ocasião, um voto separado, por entenderem, ao contrário do relator, que os fatos existentes contra o parlamentar configuram quebra do decoro parlamentar, com graves prejuízos para a imagem da Câmara. Segundo eles, o parecer de Batochio é excessivamente técnico e cheio de lacunas com relação ao exame das acusações. José Aleksandro se defendeu no Conselho de Ética, dizendo que está sendo alvo de denúncias políticas. A única declaração que deu, ao final da sessão, foi a de que "o parecer (do relator) já diz tudo". Relator da CPI do Narcotráfico, Torgan lembra que o deputado apresentou informações falsas à comissão sobre seu patrimônio. Ele foi citado, no relatório final, por suspeita de envolvimento em lavagem de dinheiro. Batochio aceitou uma única denúncia contra o deputado, a de que ele, também no programa de tevê, teria ofendido a honra do deputado estadual Edvaldo Magalhães. Como punição, propôs ao conselho que encaminhe à Mesa Diretora da Câmara a recomendação de censurar José Aleksandro por escrito. O relator disse que não se incomoda com a repercussão de seu parecer. "A opinião pública quer sangue, a imprensa quer adrenalina, mas estou do lado da Justiça", alegou. Esse foi o primeiro processo examinado pelo Conselho de Ética, criado no ano passado como parte da "pauta ética" anunciado pelo presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), mas nada de concreto foi feito desde então para melhorar a imagem da Casa.

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