Relator do PP vira centro de atenção

Relator do PP vira centro de atenção

Barros vai avaliar contas do governo na Câmara

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

05 de setembro de 2015 | 21h00

Escolhido em maio para ser o relator relator-geral na Câmara dos Deputados do Orçamento para 2016, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) já começou a sentir a pressão do cargo. Ainda falta um mês para ele apresentar seu relatório preliminar sobre a peça enviada pelo governo e já há uma fila de pedidos de audiência em sua mesa. 

Com previsão de déficit de R$ 30,5 bilhões no Orçamento de 2016, todos tentam direcionar os recursos para suas respectivas áreas. 

Até 22 de dezembro, os parlamentares podem, mediante apresentação de emendas, remanejar, incluir e cancelar gastos de acordo com o que consideram “necessário” para o País. “Vou atender e dar ouvidos a todos que vierem, e dizer sim ou não”, disse o parlamentar. 

O cientista político Murilo de Aragão, diretor da consultoria Arko Advice, que estuda as atividades do Congresso, prevê que o relator terá uma projeção “intensa” na relação com o governo nos próximos meses. “O Orçamento é uma guerra autofágica”, avaliou. O “equilibrista” do Orçamento é apontado pelos colegas como um político cronicamente governista. 

Ele é um dos vice-líderes do governo na Câmara. No Paraná, a mulher dele, Cida Borghetti (PROS), é vice governadora de Beto Richa (PSDB). No ano passado, a filha, de 22 anos, foi eleita deputada estadual. O relator conta que foi da oposição por um breve período: nos primeiros quatro anos do governo Lula. “Sou vice líder de Dilma e fui vice líder de Lula. No governo FHC, fui líder no Congresso.” 

Apesar de ocupar um cargo de confiança do Palácio do Planalto, Barros foi escolhido relator graças ao apoio decisivo do bloco de parlamentares leais ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). 

Ao avaliar a situação das contas do governo, o relator conta que essa não é a primeira vez que a peça orçamentária chega com um déficit primário. “O ideal é ter receita e despesas compatíveis, sem déficit primário. Mas isso não é inédito. A última vez foi em 1999 (governo FHC), por conta da crise da Rússia”, relatou. O deputado lembra que, na ocasião, foi feita uma mensagem modificativa do Orçamento, que passou a ser deficitário. 

Na avaliação de Barros, o governo cometeu um erro estratégico ao recuar tão cedo da recriação da CPMF. “Se o governo tivesse mandado a proposta da CPMF, o Orçamento estaria superavitário com a expectativa da receita (do tributo). Até o Congresso decidir, teríamos tempo para encontrar outra receita ou cortar despesas. Vamos corrigir isso.” 

Nesta semana, o relator terá que se desdobrar para explicar seu ponto de vista aos empresários na sede da Fiesp, que chegou a pedir a demissão do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em função do projeto da CPMF. “Como empresário e político, penso que o setor produtivo sofrerá muito mais com o aumento da instabilidade e a perda do grau de investimento do que com aumento de carga tributária.” Apesar de integrar o Conselho de Economia da entidade, ele discorda da Fiesp. “Mudar ministro da Fazenda não é uma boa medida. Levy está indo bem.”

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