Relator do mensalão não poupa acusados em apresentação

Ministro Joaquim Barbosa leu trechos da denúncia sobre a "organização criminosa" no primeiro governo Lula

Leonencio Nossa,

22 de agosto de 2007 | 12h04

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa terminou a leitura de uma hora e 16 minutos do relatório que apresenta ao plenário as acusações contra os 40 envolvidos no caso do mensalão. Barbosa não deixou de fora as afirmações mais duras do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, contra os acusados de participar do suposto esquema de compra de apoio ao governo no Congresso.   Veja também: STF nega pedido de Jefferson por julgamentos individuais STF inicia julgamento dos 40 acusados pelo mensalão Ministro do STJ defende fim do foro privilegiado a autoridades  Quem são os 40 do mensalão   Saiba como o STF vai examinar a denúncia do 'mensalão' Deputados na mira: os cassados, os absolvidos e os que renunciaram  Entenda: de uma câmera oculta aos 40 do mensalão  Veja o flagra de Marinho      De forma enfática, o ministro leu trechos da denúncia de 138 laudas em que o procurador sustenta a existência de uma "organização criminosa" no primeiro governo Lula, "loteamento" da estrutura da máquina pública, envio de recursos para "paraísos fiscais" e "mistura" de dinheiro público e privado nas transações do Banco Rural, usado pelos indiciados.   O ministro também repetiu que as acusações do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), algoz do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, ficaram "comprovadas".   Defesa   Após resumir as acusações oferecidas ao STF pelo Ministério Público Federal, Barbosa passou a ler trechos da defesa dos indiciados. Nessa parte, o ministro lembrou que José Dirceu afirmou que não participou do chamado "núcleo central" do esquema e nunca se envolveu na questão de finanças do PT.   Já Jefferson argumentou que não existem elementos jurídicos para ser acusado de corrupção. A sessão deve ser interrompida para almoço e volta á tarde, com as sustentações orais dos advogados dos citados no escândalo do mensalão.   A série de sessões só termina na sexta-feira ou na segunda-feira, em um total de até quatro sessões. A decisão do STF terá peso no futuro político dos ex-ministros José Dirceu (Casa Civil), Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação) e Anderson Adauto (Transportes), dos deputados petistas José Genoino (SP) e João Paulo Cunha (SP) e dos ex-dirigentes do PT Delúbio Soares (ex-tesoureiro) e Sílvio Pereira (ex-secretário-geral do partido).

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