Relator do mensalão deve condenar mais políticos

O ministro Joaquim Barbosa, relator da ação do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), retomou na tarde desta quarta-feira a leitura de seu voto pela condenação de deputados e ex-parlamentares do PR, PTB e PMDB. Todos, além do PP, são acusados de receber recursos públicos via PT em troca de apoio a projetos de interesse do governo Lula.

RICARDO BRITO, Agência Estado

19 de setembro de 2012 | 14h53

A expectativa é de que o relator use as sessões desta quarta e quinta-feira para demonstrar que os parlamentares que receberam recursos do mensalão cometeram crime de corrupção passiva. O ex-presidente e ex-líder do PL (atual PR) na Câmara Valdemar Costa Neto (SP); o ex-vice-líder Bispo Rodrigues (RJ); o presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ); Romeu Queiroz (MG), então vice-líder do PTB na Câmara; e o ex-líder do PMDB José Borba (PR) devem ser condenados.

O ministro, que usou boa parte da sessão da última segunda-feira (17) contando, segundo ele, como o esquema de compra de apoio político foi estruturado com a chegada do PT ao poder, deve apresentar nesta sessão votos mais curtos pela condenação dos demais políticos. Como antecipou o jornal O Estado de S. Paulo, Barbosa só deve revelar amanhã seu voto pela condenação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu como o responsável pelo esquema de cooptação de parlamentares para aderir à base aliada e aprovar matérias do então recém-empossado governo.

Ministros do STF ouvidos pela Agência Estado devem concordar com o voto do relator pela condenação dos políticos. Contudo, há magistrados que vão discordar da fundamentação da posição de Barbosa. Um ministro disse que, em vez da compra de apoio para a aprovação das reformas previdenciária e tributária na Câmara dos Deputados, houve, com o pagamento de propina, a criação de um sistema de fidelização de partidos aos interesses do PT, legenda que chegara ao poder. Essa parte do julgamento deve levar até três semanas - mais tempo que os capítulos já apreciados pelo Supremo.

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