Relator do 3º caso Renan vai a Alagoas para ouvir testemunha

Neste processo, o presidente licenciado é acusado de usar 'laranjas' em compra de rádios em seu Estado

Rosa Costa, do Estadão

24 Outubro 2007 | 21h03

O presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), entregou sua defesa referente ao processo que investiga o uso de "laranjas" em compra de emissoras de rádio nesta quarta-feira, 24. O relator da representação, senador Jefferson Péres (PDT-AM),  viaja na próxima semana a Alagoas para ouvir a principal testemunha da denúncia, o usineiro João Lyra.   Veja também: Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan      Por meio do advogado Davi de Oliveira Rios, opresidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), protocolou nesta quarta na Secretaria do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar sua defesa prévia no processo.   Os advogados de Lyra comunicaram ao senador que ele - sócio de Renan nessas transações - está disposto a colaborar com as investigações, mas que não tem condições emocionais ou física para depor no Senado. Péres disse que a participação de Lyra teria "mais força" se ele se dispusesse a ser acareado com Renan ou se aparecesse uma testemunha das conversas que ele teria tido com o senador. "Quem sabe não aparece alguém novo?", questiona ele, convencido de que será possível apresentar seu parecer dia 14 de novembro, como acertou no Conselho de Ética.   O relator afirmou que só pedirá a cassação de Renan se encontrar provas. Péres, no entanto, afirma não significa nenhuma predisposição em inocentar o presidente licenciado. "Independentemente do que o relator pense, quando se trata de um processo com acusações específicas, como é o caso, se não há provas, o relator não pode dizer que não encontrou nada e, recorrendo a um julgamento subjetivo, pedir a cassação".    Ele explicou que quando fala em "comprovantes" sobre o envolvimento de Renan com laranjas, não quer dizer que esteja se referindo a uma "prova cabal, material". "Não tem de ser uma prova cabal, material, a prova testemunhal também é válida até em juízo, é o conjunto de indícios veementes que podem ser tomados e dar evidência ao cometimento da falta", afirmou.   Como evidências, o senador citou a impossibilidade de o primo de Renan, Tito Uchôa, apontado como seu principal testa de ferro do presidente licenciado, ter condições financeiras de investir na compra de duas emissoras de rádio e de um jornal diário. "Parece que seu salário era pouco mais de mil reais", disse. Outro indício é o fato de uma das emissoras ter sido transferida para o filho do senador, Renan Calheiros filho, o Renanzinho.   Ele explicou que programou a viagem a Alagoas de forma a que Lyra possa conhecer a defesa de Renan no episódio. "É preciso que o João Lyra conheça a defesa de Renan, ele precisa saber o que vai dizer o Renan porque vai rebater a defesa dele", justificou. Outra documentação importante no caso é a que está sendo providenciada pela Junta Comercial de Alagoas.   (Com Agência Senado)

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