Relator deve propor amanhã arquivamento do caso Schincariol

Senador João Pedro vai alegar que não há provas de que Renan teria ajudado cervejaria junto ao INSS e Receita

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2018 | 00h00

Relator da segunda representação contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador João Pedro (PT-AM) vai propor amanhã ao Conselho de Ética o arquivamento da denúncia. Ele alegará que não há provas de que o senador alagoano teria interferido na Receita Federal e no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para diminuir o valor de multas impostas à Schincariol. Antes da suposta intermediação, a empresa pagou R$ 27 milhões pela fábrica de refrigerante do irmão do senador, deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), valor considerado acima do real. De acordo com reportagem da revista Veja, a fábrica estava prestes a fechar e valeria, no máximo, R$ 10 milhões. A Schincariol nega a versão.Um pedido de vista deve adiar a votação do parecer para a semana que vem. Acuado pela repercussão negativa contra o PT - responsabilizado pela absolvição de Renan da primeira acusação, por 40 votos contra 35, além de 6 abstenções -, João Pedro chegou ontem a encenar um recuo no parecer. Ele passou aos colegas de partido, senadores Tião Viana e Sibá Machado, ambos do Acre, a impressão de que ainda estava em dúvida.O voto, porém, não deve ser alterado. Não só por ele ter sido escolhido relator pela líder Ideli Salvatti (PT-SC), com a missão de salvar Renan, como pelo fato de figurar como um dos petistas que inocentaram o senador alagoano da acusação de ter contas pessoais pagas pelo lobista da empreiteira Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, no julgamento da semana passada.Orientado por assessores, João Pedro deve no máximo sugerir, juntamente com o pedido de engavetamento, o envio da denúncia ao Conselho de Ética da Câmara, para que investigue a situação de Olavo Calheiros.IMPASSENa oposição, o clima é de impasse. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse que, "apesar da seriedade da representação", é difícil reunir provas para sustentá-la, sem o apoio dos dirigentes da Receita Federal e do INSS. "Tudo o que está na reportagem é verdade, mas eu tentei e nenhuma das autoridades que passaram a informação quis falar", informou.Para o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), seria "leviano" agir sem dispor de provas como as que foram obtidas na primeira representação, quando a perícia da Polícia Federal embasou o processo. Virgílio ouvirá hoje a bancada sobre essa nova acusação.O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) prevê que a reação da opinião pública contra a absolvição de Renan levará colegas de todos os partidos a repensarem no apoio a ele. Por ora, o que chama a atenção, na sua opinião, é a falta de entrosamento e a ausência da represálias viáveis por parte de parlamentares da oposição.Os senadores prometeram obstruir as votações, a ponto de inviabilizar a votação da CPMF, mas, se fizerem isso, também estarão impedindo a votação do projeto de resolução que acaba com as sessões secretas no julgamento de cassação.TRAMITAÇÃOO texto foi publicado na última quarta-feira e até amanhã estará em fase de recebimento de emendas. Depois de ser examinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), estará pronto para ir a plenário. Isso se a pauta não estiver obstruída por medidas provisórias ou projetos de escolha de autoridades.Virgílio sugere ainda que as demais representações contra Renan sejam examinadas de uma só vez. A terceira delas trata da suposta sociedade do senador com o usineiro João Lyra na compra de um jornal diário e duas emissoras de rádio em nome de laranjas. Há uma quarta acusação, de cobrança de propina em ministérios chefiados pelo PMDB, que ainda não foi enviada ao conselho.

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