Wilton Junior|Estadão
Wilton Junior|Estadão

Relator de projeto que aumenta salário de ministros do STF diz que proposta é uma 'vergonha'

Declaração de Ricardo Ferraço é mais um episódio da polêmica entre os posicionamentos do PSDB contrários à abertura de gastos do governo Temer

Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2016 | 15h13

BRASÍLIA - O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) será o relator na Comissão de Assuntos Econômicos do projeto que aumenta de R$ 33.763,00 para R$ 39.293,32 os salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Tão logo recebeu a notícia, o senador se colocou absolutamente contra a proposta. A declaração é mais um episódio da polêmica entre os posicionamentos do PSDB contrários à abertura de gastos do governo Temer. 

"Imagine num momento de crise como esse, querem aumentar o teto do salário dos ministros do Supremo para quase R$ 40 mil. É um absurdo e uma vergonha", disse o senador. O senador garantiu que dará voto contrário à matéria em seu relatório e chamou atenção para o efeito cascata que a proposta pode causar.

"Isso deixa portas abertas para que senadores queiram aumentar os seus salários, assim como deputados federais, estaduais, juízes. É uma farra e um desprezo com a situação crítica das contas da União, dos estados e da população", afirmou.

O projeto foi aprovado na quarta-feira, 3, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas ainda passará pela Comissão de Assuntos Econômicos antes de seguir para o plenário.

Ferraço tem mantido posição contrária aos projetos de reajustes salarias no serviço público, mas não foi o primeiro tucano a criticar este projeto. O próprio líder do governo Michel Temer no Senado, Aloysio Nunes (PSDB-SP), disse que a matéria era uma "bomba no orçamento". O senador disse que o governo ainda não havia se posicionado sobre o texto. Inicialmente, ele disse que votaria contra a matéria, porém mudou de ideia depois e declarou que ainda está aguardando um levantamento do Ministério do Planejamento.

Críticas tucanas. Apesar de ser um dos principais partidos na base aliada, o PSDB tem se posicionado de forma contrária ao "pacote de bondades" do governo Temer. Como mostrou reportagem do Estado na quinta-feira, 4, tucanos de todas as alas defendem o aprofundamento das reformas macroeconômicas e uma gestão mais austera a partir de setembro, com a provável queda de Dilma.

Nessa semana, o Instituto Teotônio Vilela (ITV), braço de formulação do PSDB, divulgou um texto em que reforça as críticas à falta de rigor fiscal do governo do presidente em exercício. No artigo intitulado "É preciso menos (e não mais) gastos", a entidade afirma que o governo deve, para superar a crise do País, primeiramente "fechar a torneira dos gastos".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.