Relator de processo contra Delcídio diz que cassação pode ser feita sem delação

Favorável à cassação do senador, senador Telmário Mota (PDT-RR) afirmou que processo contra petista pode prosseguir mais rapidamente no Conselho de Ética; relatório será votado nesta quarta-feira

Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2016 | 15h51

BRASÍLIA - O relator de processo contra Delcído Amaral (PT-MS) no Senado, o senador Telmário Mota (PDT-RR), afirmou nesta terça-feira, 15, que a homologação da delação do petista não interfere no processo de cassação. Pelo contrário, ele acredita que é possível dar seguimento mais rapidamente ao processo sem incluir a delação nos documentos analisados.

"A delação não interfere em nada. Estamos avaliando se, naquelas gravações, Delcídio quebrou o decoro. O relatório será votado amanhã (quarta-feira, 16) no conselho. Eu entendo que, para dar celeridade, não é necessário", afirmou Telmário. Nas semanas anteriores, quando veio a público o acordo de delação de Delcídio, entretanto, o relator havia dito que a delação tornaria Delcídio "réu confesso", o que aceleraria o processo de cassação.

Telmário admitiu que já existem no Conselho de Ética requerimentos que pedem a inclusão da delação no processo. Entretanto, ele acredita que qualquer pedido semelhante a esse é uma medida protelatória.

"O importante agora é fazermos a votação (do relatório) e vamos trabalhar nesse sentido. O meu voto vai ser em cima dos autos concretos e acho que todos os membros vão fazer o juízo dos fatos que estão ali", disse.

O relatório apresentado por Telmário na última quarta-feira, 9, foi favorável à cassação do senador, por entender que existem indícios de quebra de decoro nas conversas gravadas de Delcídio. O relatório será votado nesta quarta-feira, 16, pelos membros do Conselho de Ética e, caso seja aceito, terão início as oitivas com apresentação de documentos e interrogação de testemunhas de defesa e acusação.

Suposta negociação de Delcídio com Mercadante. Telmário afirmou que, caso comprovadas, as gravações em que o atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante, supostamente negocia o silêncio do senador Delcídio são gravíssimas e que o governo deve explicações.

"Se houve essa gravação e ela realmente for verdadeira, é obrigação da República se reportar à população", afirmou. Em contrapartida, ele foi irônico quanto ao pedido da oposição de que o ministro Mercadante seja preso, assim como Delcídio. "A oposição já quis a prisão de algum senador do PSDB, que também foi delatado? Na hora em que eles quiserem isso, acho que estão sendo igualitários", disse.

Tudo o que sabemos sobre:
MotaAloizio MercadanteRepúblicaPSDB

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.