Gustavo Lima/Câmara dos Deputados
Gustavo Lima/Câmara dos Deputados

Bonifácio nega saída do PSDB e reafirma que segue na relatoria

'Sou do PSDB e estou realmente procurando agora realizar uma tarefa na CCJ', disse o relator; mais cedo, dirigentes do PSDB indicaram que o deputado iria se licenciar do partido

Felipe Frazão, Igor Gadelha e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2017 | 16h52
Atualizado 04 de outubro de 2017 | 20h23

BRASÍLIA - Contrariando a expectativa de dirigentes do PSDB, o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) disse na noite desta quarta-feira, 4, que segue no partido e na relatoria da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB). O tucano comunicou ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), que não tem a intenção de se licenciar da legenda. "Eu sou do PSDB e estou realmente procurando agora realizar uma tarefa na CCJ", respondeu.

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Em entrevista, Bonifácio disse que não passou pela cabeça se licenciar do PSDB e insistiu que seguirá a orientação do presidente da CCJ. "Numa democracia, a Câmara dos Deputados está acima dos partidos", desconversou.

Mais cedo, dirigentes do PSDB indicaram que Bonifácio iria se licenciar do partido. O senador Tasso Jereissati (CE), presidente interino da legenda, disse que estava conversado com Bonifácio e que "soube que ele vai se afastar". "Existe uma divisão do partido em torno do assunto, então não é conveniente que o relator seja do partido", disse Tasso. Com a permanência do deputado na CCJ e no partido, o impasse segue no ninho tucano.

O secretário-geral do partido, deputado Silvio Torres (SP), chegou a confirmar que Bonifácio iria se licenciar para permanecer na relatoria. Segundo Torres, ele ficaria como membro suplente da CCJ e a licença era sugestão do líder da bancada tucana, Ricardo Tripoli (SP). "É uma solução meia-sola, o ideal era que ele não fosse o relator. Mas o presidente da CCJ (Rodrigo Pacheco) fez uma escolha pessoal e ele (Bonifácio) aceitou em decisão pessoal também", disse Torres. 

Bonifácio disse que recebeu a tarefa de relatar a denúncia e que seguirá no trabalho. "Estou agora ocupado com essa tarefa", enfatizou.

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Pacheco disse que a decisão que lhe cabe é garantir com que o tucano continue na CCJ "em qualquer circunstância" e realize seu trabalho na relatoria. "Ele segue como relator. Enquanto ele tiver a vontade e disposição de ser o relator, ele o será em qualquer circunstância", declarou. Segundo Pacheco, nenhum partido ofereceu até o momento ceder uma de suas vagas para Bonifácio caso o líder Ricardo Tripoli (PSDB-SP) decida destitui-lo. 

O presidente do colegiado chegou a afirmar que, a princípio, Bonifácio poderia continuar como relator da segunda denúncia, mesmo se pedir licença do PSDB. O peemedebista ponderou, contudo, que faria uma análise a fundo do regimento para confirmar essa possibilidade. "Ele estará afastado do PSDB, mas não estará sem partido", afirmou Pacheco. 

Pacheco informou o relator terá até terça-feira, 10, para entregar seu parecer. Com a expectativa de pedido de vista, a votação do parecer na CCJ deve ficar para depois do feriado de 12 de outubro.

PRAZOS

Pacheco afirmou que dificilmente a denúncia contra Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) será votada na próxima semana, antes do feriado de 12 de outubro. Nesta quarta-feira, os advogados dos três entregaram as defesas. Segundo o presidente da CCJ, a partir desta quinta-feira, 5, começará a contar o prazo de cinco sessões para que o relator apresente seu parecer sobre a peça acusatória.

O peemedebista afirmou que, se o relator entregar o parecer na próxima semana, será possível votá-lo na CCJ na semana após o feriado, entre os dias 16 e 20 de outubro. 

REAÇÃO

O deputado federal Rogério Marinho (RN) afirmou que a ala governista da bancada do PSDB vai reagir fortemente caso Tripoli retire Bonifácio da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. "Vai ter reação, e forte", afirmou Marinho ao Estado/Broadcast Político. A reação, de acordo com outros tucanos da ala governista, será uma tentativa de destituir Tripoli da liderança da legenda.

Como vem mostrando o Broadcast Político, o líder do PSDB cogita retirar Bonifácio da CCJ, para fazer com que mineiro deixe de ser relator da denúncia no colegiado. A troca, porém, não impede Bonifácio de voltar a ser relator. Se outro partido ceder uma vaga para o deputado mineiro na comissão, o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), pode indicá-lo novamente para relatoria.

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