Relator de CPI acusa entidade ligada ao PT

O relator da CPI da Segurança Pública da Assembléia Legislativa gaúcha, Vieira da Cunha (PDT), afirmou que faltou "transparência" e "ética" ao Clube de Seguros da Cidadania, entidade ligada ao PT, ao arrecadar recursos. O relator disse a esta avaliação foi reforçada por depoimentos realizados hoje na CPI, onde ficou demonstrado, segundo ele, que os recursos arrecadados "tinham uma finalidade completamente diferente da qual foram empregados".A CPI ouviu hoje o ex-presidente da Associação Municipalista Brasileira (Ambras) e representante da Sabeme Seguradora, Antônio Túlio Lima Severo. Aos deputados, ele disse que a Ambras fez um repasse de R$ 50 mil, em cinco parcelas de R$ 10 mil, ao corretor Daniel Verçosa Gonçalves, da Condor Seguradora - que também é diretor do Clube de Seguros -, como adiantamento de um projeto de seguro escolar que acabou não se efetivando. Em outro depoimento, a diretora financeira da Ambras, Eda Margot Severo Schröeder, reforçou as informações de Severo.O repasse foi realizado em 1998 e o recibo do pagamento foi emitido em nome do clube. "O projeto de seguros não foi implementado e não houve quebra de confiança", comentou Vieira da Cunha. Para ele, isso "demonstra que a relação entre Sabeme, Ambras e Gonçalves é muito forte, a ponto de não ter sido estremecida por esta operação". Na avaliação do relator, houve um desvio de finalidade na arrecadação, pelo fato de o Clube de Seguros ter pedido dinheiro para um fim e utilizado em outro.Vieira da Cunha disse que a CPI, após ouvir cerca de 20 depoentes, constatou a existência de três tipos de doadores: os militantes petistas, os doadores de campanha do então candidato Olívio Dutra (PT) e os que doaram recursos para projetos sociais ou de seguros. Este último grupo representa os maiores valores, disse o relator. Para o presidente da CPI, Valdir Andres (PPB), "houve arrecadação de dinheiro no mínimo de forma irregular e antiética".O deputado Ronaldo Zülke (PT) questionou a motivação dos parlamentares na CPI. Ele disse que a maioria dos integrantes da CPI está tentando "amorcegar" as investigações sobre a chamada "banda podre" da polícia, defendidas pelo governo. A CPI da Segurança investiga um suposto envolvimento do PT com o jogo do bicho que foi insinuado em depoimento do presidente do Clube de Seguros, Diógenes Oliveira, em conversa com o ex-chefe de polícia Luiz Fernando Tubino, na qual ele sugere que a repressão ao jogo seja amenizada. A Agência Estado tentou fazer contato com Oliveira, mas seu telefone celular estava desligado.

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