Relator da ONU defende MST e agricultura familiar no Brasil

Olivier Schutter também afirmou que a monocultura de cana-de-açucar aumenta a concentração de renda

estadao.com.br,

16 Outubro 2009 | 17h51

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira, 16, o relator especial da ONU para Direito à Alimentação, Olivier de Schutter, defendeu o Movimento dos Sem Terra do Brasil. O grupo vive um momento polêmico devido à invasão à fazenda da empresa Cutrale (o latifúndio teve plantações e equipamentos danificados pelo MST). No Congresso brasileiro, a oposição está se organizando para criar uma CPI para investigar o grupo. A agência de notícias AFP informou que Schutter recomendou ao Brasil que apoie mais a agricultura familiar.

 

"O MST (Movimento dos Sem Terra)está aí para chamar a atenção sobre as dificuldades que muitos países enfrentam para sanar os problemas alimentares", disse o relator em entrevista coletiva.

 

Recentemente, o relator visitou o Brasil por cindo dias e agora pede que agronegócio e agricultura familiar se conciliem.  Schutter lembrou que além de produzir alimentos, estes negócios também têm funções sociais e ambientais.

 

O relator da ONU também citou as grandes plantações de cana-de-açucar para produizr etanol. Segundo Schutter, este tipo de cultura tem contribuído para aumentar a concentração de terra. Além disso, esta monocultura proporciona condições precárias aos trabalhadores, disse o membro da ONU.

 

O relator pediu que o Brasil lidere um sistema de certificação ambiental internacional para os biocombustíveis.

 

Schutter considera a atuação do Brasil no combate a fome como exemplar, e citou dados que mostram uma redução de 73% no índice de desnutrição no país desde 2002 e de 45% na mortalidade infantil.

Mais conteúdo sobre:
ONU MST Brasil Lula

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.