Relator da CPMI nega acordo entre base e oposição

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito do Congresso que apura denúncias de corrupção na Petrobras, deputado Marco Maia (PT-RS), negou na tarde desta quinta-feira que a base e a oposição tenham feito um acordo para barrar oitivas de nomes ligados ao escândalo na estatal.

RICARDO DELLA COLETTA, Estadão Conteúdo

06 de novembro de 2014 | 20h31

Maia argumentou que houve um entendimento "de procedimento" entre os partidos políticos sobre quem deverá ser ouvido pelo colegiado faltando pouco mais de um mês para o encerramento dos trabalhos da CPMI. Ele descartou, no entanto, que tenha ocorrido uma "blindagem". "Não há nenhum acordo para a votação de relatório, para inocentar alguém ou para deixar de investigar aquele partido ou político", afirmou.

"Vamos ouvir as pessoas identificadas como tendo ligação direta com o Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobras) e Alberto Youssef (doleiro e principal alvo da Operação Lava Jato)", disse. "Vamos focar nos que têm condições de nos trazer informações". Maia disse que a CPMI vai centrar esforços agora em ouvir executivos da holding GFD e do Labogen, empresas controladas pelo doleiro. Em delação premiada à Justiça Federal, Paulo Roberto e Youssef envolveram políticos aliados do Palácio do Planalto e da oposição num esquema de pagamento de propinas na estatal.

Ontem, parlamentares da base atuaram para evitar a convocação da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), apontada por Youssef como beneficiária de doações não declaradas no valor de R$ 1 milhão em 2010, e do tesoureiro do PT João Vaccari Neto, cujo nome também foi citado na delação premiada. O PSDB, por sua vez, impediu a convocação de Leonardo Meirelles, apontado como laranja de Youssef e que disse à Justiça que o ex-presidente do partido Sérgio Guerra, morto no início deste ano, recebeu recursos do esquema.

Maia justificou o acertado pelos membros da CPMI. "No procedimento não iríamos chamar políticos porque não há prazo e porque as falas ou ilações estão na delação premiada", disse. "Enquanto nós não obtivermos as informações não teremos como produzir um relatório que trate sobre políticos e pessoas citadas no processo da delação premiada".

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