Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Relator da CPI, Renan Calheiros pede prisão de Wajngarten; presidente da comissão nega

Em clima tenso, ex-chefe da Secom no governo Bolsonaro responde a perguntas de senadores que investigam a gestão da pandemia no País

Lauriberto Pompeu e Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2021 | 19h46
Atualizado 13 de maio de 2021 | 00h15

BRASÍLIA – Em uma sessão tensa e marcada por bate-boca e confusão, o relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou, mais de uma vez, que pediria a prisão do ex-secretário de Comunicação da Presidência Fábio Wajngarten, que depôs nesta quarta-feira, 12, na comissão.  No depoimento, que durou mais de oito horas, Wajngarten caiu em contradição e irritou senadores.

A posição de Renan provocou contrariedade do presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), até então seu aliado, e os dois acabaram discutindo. “Eu não sou carcereiro de ninguém”, reagiu Aziz. O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) entrou na sala e chamou Renan de “vagabundo”.

“Imagina a situação: um cidadão honesto ser preso por um vagabundo como Renan Calheiros”, afirmou Flávio, filho “01” de Bolsonaro, ao dizer que o relator queria transformar a CPI em palanque eleitoral. “Vagabundo é você, que roubou dinheiro do pessoal do seu gabinete”, retrucou Renan. “Vá se f...!”, devolveu Flávio, que foi denunciado por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no processo das “rachadinhas”. Mais tarde, nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro escreveu: “Com mais de 10 inquéritos no STF, Renan tem moral para querer prender alguém?”

O presidente da CPI suspendeu o depoimento, aproveitando que os trabalhos precisariam ser interrompidos por causa da sessão do Senado. 

Outros senadores, como Fabiano Contarato (Rede-ES), também defenderam a prisão de Wajngarten depois que ele negou ter autorizado a campanha publicitária com o mote #O Brasil não pode parar, assinada pela Secom, contra o isolamento social. A campanha foi veiculada em março do ano passado. Wajngarten lembrou que, à época, havia contraído coronavírus e ficou afastado. “Esse depoente tem de sair daqui preso”, gritou Contarato, que é delegado. “O espetáculo da mentira é algo que não vai se repetir e não pode servir de precedente”, insistiu Renan.

O Código Penal, em seu artigo 342, classifica o ato de fazer afirmação falsa em investigação como crime punível com reclusão de dois a quatro anos e multa.

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