ED FERREIRA/ESTADÃO
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Relator da CPI minimiza declaração de Barusco sobre propina a campanha de Dilma em 2010

'O que ouvi é que ele disse que participou apenas da negociação de percentuais, mas não afirmou ali nem trouxe dados novos acerca de se o Vaccari recebeu ou não recebeu', afirmou o deputado Luiz Sérgio

Daniel Carvalho, Daiene Cardoso e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

10 de março de 2015 | 18h48

Brasília - O relator da CPI da Petrobrás, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), minimizou a declaração do ex-gerente executivo da Diretoria de Serviços da estatal Pedro Barusco sobre um suposto repasse de recursos para a campanha eleitoral de Dilma Rousseff em 2010, quando ela foi eleita presidente pela primeira vez.

Questionado a quem eram destinados os valores arrecadados junto à SBM Offshore, Barusco disse que o dinheiro foi dado na época da eleição presidencial em que disputavam o tucano José Serra contra a petista Dilma Rousseff, em 2010. Ele ressaltou que o dinheiro foi encaminhado ao PT por meio do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. "Foi solicitado à SBM um patrocínio de campanha, só que não foi dado por eles diretamente. Eu recebi o dinheiro e repassei num acerto de contas em outro recebimento", afirmou.

Luiz Sérgio minimizou. "O que ouvi é que ele disse que participou apenas da negociação de percentuais, mas não afirmou ali nem trouxe dados novos acerca de se o Vaccari recebeu ou não recebeu. Ele não trouxe nenhum dado novo a respeito desse tema", afirmou em entrevista após a sessão que durou mais de cinco horas.


Ao comentar as declarações de Barusco a respeito do suposto repasse à campanha de Dilma, o presidente da CPI, o peemedebista Hugo Motta (PB), disse esperar "imparcialidade" nos trabalhos da comissão. "Isso é um processo que temos que adentrar nessas investigações. Foram declarações relevantes, mas temos outros depoimentos marcados para que, ao final, o relator possa ter a sua conclusão. Espero eu uma conclusão imparcial e isenta de interferências. É isso que defendemos", disse Motta.

FHC. Com a estratégia de usar o depoimento de Barusco para atingir o governo de Fernando Henrique Cardoso frustrada, o petista relativizou o impacto da fala do ex-gerente. "A meu ver, o depoimento do Barusco não trouxe nenhum fato além daquilo que nós tivemos acesso na delação que circulou na imprensa e nas redes sociais", afirmou. "O ideal, a meu ver, é que naquele período (governo FHC) ele pudesse aprofundar porque é impossível imaginar que a corrupção na Petrobrás tenha nascido com ele, sozinho, a partir de 1997", afirmou.

Barusco disse que começou a receber propina de forma individual em 1997, mas que os pagamentos de forma organizada e envolvendo diretores da estatal e o tesoureiro do PT tiveram início em 2004.

"O depoimento do senhor Barusco foi muito claro quando ele delimitou que no período de 1997 e 1998, ou seja, no período que antecede o período que a comissão tem que investigar, ele não tinha uma corrupção institucionalizada, uma corrupção política. Ele tinha uma corrupção pessoal. Ele não imputou a nenhum membro do governo anterior, a nenhum diretor, nenhuma culpa dos processos de propina que ele recebeu anteriormente", afirmou Hugo Motta.

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